12 Mar 2009

Sempre em festa


Há 500 anos era assim:

Mas o resto de Portugal não beneficiava muito do ouro preto e amarelo que era descarregado nas docas de Lisboa e logo depois recarregado em navios com destino a Londres e a Antuérpia.
Lisboa era cada vez mais uma cidade deslumbrante num monte rodeado por bairros de lata. Mas isso ainda a tornava mais atractiva para os camponeses pobres e os artesãos que afluíam á cidade.
Naturalmente não eram apenas os camponeses pobres e os artesãos que se deslumbravam com a riqueza da cidade.
Clérigos, escudeiros e sicofantas afluíam aos pátios cobertos de azulejos junto às muralhas do castelo em busca de qualquer oportunidade de promoção.
Os fidalgos faziam vénias e aperaltavam-se em busca de qualquer potencial nomeação lucrativa
Aqui, o caminho para a fortuna era diferente de Veneza ou de qualquer uma das repúblicas mercantis italianas.
Em Portugal tudo dependia do favor régio. Se alguém quisesse progredir na carreira como soldado, mercador ou clérigo teria de receber a bênção do monarca.
Para o rei, era um negócio dispendioso.
Em 1500 D. Manuel sustentava cerca de 4000 funcionários só na sua corte. Não admira que os monarcas portugueses estivessem sempre à procura de uma nova fonte de receitas.*

Hoje basta mudar algumas palavras, por exemplo onde está D. Manuel colocar o Estado, e tudo parece absolutamente actual.
Que tristeza.


* O Sabor da Conquista - Edições 70 - Michael Krondl

3 comments:

Cantanhede said...

Muito engraçado mesmo, Portugal é assim, sempre mais do mesmo.

A título de curiosidade, (porque já vi que o Fado é adepto destas preciosidades históricas) numa pesquisa que fiz para um relatório que sobre a função pública deparei-me com esta pérola:

Tem a ver com a não evolução da função pública e as suas causa, que o Professor Marcelo Caetano já 1932, caracterizava a função pública, como um anárquico corpo de “maus funcionários recrutados ao acaso e seleccionados por favoritismo pessoal e político."

Como é reconfortante ver que após 74 anos tão pouca coisa mudou, não é assim?

Cumprimentos caro Fado

Cantanhede said...

Desculpe a gramática, com a pressa não revi o texto... :-(

Espero ter passado a mensagem!!

Bom fim de semana

Fado Alexandrino said...

Muito obrigado.
É claro que passou a mensagem, duvido é que alguém a ouça.
Assim não vamos lá.