26 Mar 2009

Gente (pouco) vulgar


Falas daí para a entrada da porta.
- Só agora?
- Só agora.
Ouves da entrada da porta.
Há muito tempo que sabemos tudo.
Agora só. Agora só.
Duas palavras a cada um
como dois buracos de botões.*

Numa família de alta burguesia o filho mais velho morre afogado num desastre com um barco à vela.
Esta tragédia explode dentro da família que vivia numa paz podre garantida pela vida social.
Tinha tudo, e teve, para ser um dramalhão de cortar à faca.

O que ficou foi o restante filho, mais novo, que sentindo-se culpado da morte do irmão tenta o suicídio, um pai com medo de efectuar qualquer ruptura e uma mãe seca que tenta esconder a dor abafando qualquer sentimento.

O mais interessante do filme é a revelação que o casal tem ao confrontar-se com a morte do filho e ao verificarem que afinal tinham estado sempre de costas voltados um para o outro.
O fim é um bocadinho obsceno.
Ela, obviamente, perde a luta contra os dois.

We would have been all right if there hadn't been any mess. But you can't handle mess. You need everything neat and easy. I don't know. Maybe you can't love anybody. It was so much Buck. When Buck died, it was like you buried all your love with him, and I don't understand that, I just don't know, I don't... maybe it wasn't even Buck; maybe it was just you. Maybe, finally, it was the best of you that you buried. But whatever it was... I don't know who you are. I don't know what we've been playing at. So I was crying. Because I don't know if I love you any more. And I don't know what I'm going to do without that.
(Ele para ela)

2 comments:

lenor said...

Em certos casos não sei se as aparências funcionam como sendo a culpa de uma união, se a desculpa para uma união. Como me esforço para não ser mal intencionada, opto por acreditar que é a desculpa. Isto é, podem dizer: andamos juntos só para os amigos verem. Mas quase acho impossível ser essa toda, e a única, e a mais importante verdade.

Fado Alexandrino said...

Cada caso é um caso e neste caso a morte do filho fez explodir as tensões.
Na realidade e tem até um diálogo sobre isso, não havia amor, havia uma ligação e claro mal se esticou rompeu.
Poucas coisas resistem ao tempo, à dor e ao cansaço.