29 Apr 2009

Jornalismo


Alfredo Teixeira do Diário de Notícias esteve ontem num julgamento no Porto.
É jornalista, do outro lado estavam 44 jovens e segundo o seu relato tudo se passou em normalidade, perguntas de circunstância, nenhuma resposta, um detalhe pitoresco “no grupo há um que está já reformado. Luís Carlos tem 23 anos, não tem os dois braços mas era um dos mais activos do grupo” e outro detalhe ainda mais interessante “André Filipe entrou ontem na sala de audiência horas depois do julgamento ter começado, por ter estado numa outra sala da primeira vara a responder noutro processo por tráfico de droga”.


Mariana Oliveira também foi ver o mesmo julgamento.
É jornalista e trabalha no Público.
Conseguiu ver que “o burburinho dos “jovens” mereceu um ou dois reparos do juiz que permitiu que os arguidos se deslocassem um a um à casa de banho o que originou alguma confusão na sala. Os familiares mantiveram-se ordeiros”.


Ana Isabel Fonseca do Correio da Manhã só conseguiu ver que “À saída do tribunal, alguns arguidos e amigos destes chegaram a confrontar-se fisicamente e a trocar insultos.”.


Nuno Silva é do Jornal de Notícias e levava os olhos mais abertos.
E viu que “O clima de diversão entre os jovens foi permanente. Dentro da sala houve gargalhadas, cumprimentos calorosos, reacções insolentes. As profissões alegadas por alguns dos indivíduos arrancaram risadas e "bocas" de gozo entre outros arguidos, que nunca evidenciaram constrangimento por estar a responder por vários crimes”.


É este o jornalismo que temos em Portugal.
Cada um vê aquilo que quer que nós vejamos.


Link para a versão sem censura

2 comments:

Anonymous said...

E é esta a justiça que temos em Portugal. Estes "jovens", coitados, foram de certeza discriminados desde muito piquenos, não tendo as escolas por onde passaram cumprido a sua "função integradora". A culpa disto tudo é do presidente da escola E 2 + 3, 5 = 7 Sec. 6 de Cedofeita que não cumpriu o papel que o Zé e a Lurdes previram.
Obviamente que sabem que podem goazr com a justiça, que podem insultar e gozar com o Tribunal, com o juíz ou com o pobre do agente da PSP ali destacado que nada lhes acontece. Nada mesmo. A mim, já me penhoraram violentamente alguns bens porque havia uma diferença de 6,34 (seis euros e trinta e quatro cêntimos)não "declarados". Isto não é ficção, foi assim mesmo e posso prová-lo.
É o país que temos e cujo futuro, a continuar assim,é assustador.
Só mais uma informação preciosa: um dos agentes da PSP que disparou contra dois dos elementos deste gang, em legitima defesa, e sem consequências para os jovens para além duns ferimentos (infelizmente...), foi suspenso de toda a actividade durante 6 meses, o que acarretará sérios prejuízos em toda a sua vida profissional futura.

Fado Alexandrino said...

Muito obrigado pelo que relatou.
Estamos entregues à bicharada e não se vê maneira de sair deste atoleiro.