8 Apr 2009


Estou no sul
- mais sul que isto não há,
e agora vou para o último dos nortes,
Que bom!

ter assim mais uma razão,
de manhã, quando me levanto,
para achar que nada vale a pena.

Há uns anos um colega meu adoeceu com um cancro fui visitá-lo ao hospital e no quarto estavam os pais sentados numa cadeira à espera que o filho morresse.
Foi uma visita muito penosa para mim e ele aliás morreu três ou quatro dias depois.
Naquela altura pensei no que seria a dor daqueles pais a verem o filho morrer todos os dias um bocadinho e não haver a menor esperança de que a situação fosse reversível.

Este filme que conta a história de uma mãe e respectiva filha através dos tempos, uma relação muito conturbada entre uma mãe possessiva e uma filha pouco racional, termina desta mesma maneira, agravada por os filhos assistirem ao final anunciado da mãe.

Não é apenas sobre a morte, é também sobre o amor que acaba por nascer entre ambas.
Esta mãe que mal suportava o toque da filha, a quem nunca fazia um carinho, não por maldade mas apenas porque era assim, seca por dentro, nestes momentos finais ao sentir o aproximar do fim, abre-se e com a ajuda de um improvável amor, na figura de um excêntrico astronauta dá-lhe todo o seu final carinho.

A morte tem este toque mágico.

5 comments:

Carlos Diniz said...

Fado, se quiser ter a gentileza de me enviar um mail para cdalver@gmail.com, podemos combinar modo de lhe oferecer 3 álbuns de Mler If Dada: Coisas que Fascinam, Espírito Invisível e Pequena Fábula.

Se o caro habitar em Lisboa ou arredores poderá combinar comigo um dia para se deslocar ao Museu Nacional de Arqueologia (dias de semana), pedir para falar com autor deste comentário (serviço educativo) e este terá o maior prazer em lhe ofertar o que se propõe, além de lhe oferecer uma visita guiada gratuita ao museu.

Desculpe o off topic.

Fado Alexandrino said...

Muito obrigado por esta especial atenção.
Breve responderei por email.

lenor said...

É dificílimo fazer despedidas e é igualmente penoso presenciá-las e escrever sobre elas.

Pézinhos N' Areia said...

A morte tem de facto um toque mágico...

tenho vivido essa sensação.

perdi o meu Pai há 6 meses.

as sensações são muitas.


não me apetece falar delas neste momento...

vai saindo conforme meapetecer e vier a propósito.


O Fado é sensível e inteligente.


beijo

Fado Alexandrino said...

Obrigado Diana F.
Um abraço