12 Jun 2009

Acima dos 0,5% dá multa


Um intelectual quando escreve espera ser lido, compreendido e respeitado.
Deve ser o caso do Vasco Pulido Valente.
Na sua crónica de hoje no Público, que por questões de espaço será publicada como comentário, escreve assim:

A aparente solidez da posição do PS convenceu milhares de socialistas de que não valia a pena votar? A aparente fraqueza do PSD convenceu milhares de militantes da seita a ficar em casa ou a começar mais cedo as férias dos feriados?

Veja-se a fina ironia entre militantes e seita com que ele faz a distinção entre os dois maiores partidos.
Quem é que pode levar este fulano a sério?

1 comment:

Fado Alexandrino said...

O dr. Cavaco e o dr. Barreto estiveram anteontem em Santarém, onde o dr. Cavaco pregou a nossa regeneração pela verdade e o dr. Barreto pregou a nossa regeneração pelo exemplo. Foi com certeza uma festa muito bonita e consoladora para quem gosta daquele género de oratória. Infelizmente, ao mesmo tempo, pouco sensível à elevação moral dessas duas patrióticas figuras, Portugal dava com a maior indiferença um extraordinário espectáculo da sua atávica irresponsabilidade. Como se sabe, da meia dúzia de empresas de sondagens só uma se aproximou dos resultados da eleição de domingo. De resto, todas se enganaram grosseiramente. Não previram a vitória do PSD, não previram (evidentemente) a substancial queda do PS e não previram a sobrevivência e os dois deputados do CDS.
Em Inglaterra, por exemplo, isto teria sido um escândalo. Durante uma semana a televisão e os jornais não se calariam. O mundo inteiro pediria explicações. Haveria indignação e haveria censura. Porque, se em princípio se pode admitir um pequeno erro, não se pode admitir a uma classe profissional inteira (bem paga ainda por cima) um fracasso quase absoluto. Cá pela terra, ninguém abriu a boca. A televisão nem na noite de 7 falou a sério do assunto e a imprensa desta última semana arrumou-o com um parágrafo de passagem. Os portugueses gostam dos portugueses. Os portugueses não querem prejudicar portugueses. Para comover esta família mole e complacente que nós somos é preciso um roubo ("uma roubalheira") que acicate a sua ancestral miséria. Quanto ao resto, cada um que trate da sua vida.

E, no entanto, o erro geral das sondagens deturpou fatalmente a eleição de 7. A aparente solidez da posição do PS convenceu milhares de socialistas de que não valia a pena votar? A aparente fraqueza do PSD convenceu milhares de militantes da seita a ficar em casa ou a começar mais cedo as férias dos feriados? Se o CDS ia de facto desaparecer abjectamente com o máximo de 4 pontos (para uma empresa muito especial era menos de 1), merecia mais do que uma consideração sentimental? Nunca se descobrirá o que sucedeu. Dizem os técnicos de sondagens que a abstenção atrapalhou o quadro. Mas não existem eles precisamente para resolver essas dificuldades? Pior: o precedente da subestimação sistemática do eleitorado do CDS não acendeu uma luzinha numa qualquer tremelicante cabeça? O dr. Cavaco e o dr. Barreto escusam de se cansar. O país não lhes liga