18 Jul 2007

Sacode pralá


O aeroporto de Congonhas serve São Paulo com cerca de 600 movimentos diários.
Um avião A-320 não conseguiu depois de aterrar parar em segurança, tentou levantar novamente, o que conseguiu parcialmente, sobrevoou uma movimentada avenida e embateu num prédio das proximidades fazendo um balanço provisório de mais de duzentas vítimas.

Na véspera outro avião tinha derrapado na mesma pista não causando nenhuma fatalidade.
Esta pista tinha sido encerrada por ordem de um tribunal (situação que se manteve durante alguns dias) e reaberta por um tribunal superior devido aos fortes prejuízos económicos que tal medida suscitava.

Foi entretanto melhorada e como nesta época não chove muito em São Paulo reaberta com parte da empreitada (que inclui fazer uns sulcos para evitar as derrapagens) por fazer e adiada para a época da chuva.

Conforme diz um jornal brasileiro:

Resultado: em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força --talvez nem vontade-- de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.

Quando tiver vontade de dizer “isto só em Portugal” acredite que não.
Claro que estes também falam português, o que pode explicar alguma coisa.

Pride! De Quê?


Duca, com elegância, argumentou e merece portanto uma resposta mais cuidadosa.

Tanto quanto me lembro não escrevi nada sobre os casamentos, mas digo-lhe já que não vejo qual a vantagem que os LGBT encontram nele.
Claro que estou a falar de casamentos pelo civil, pois tenho a certeza que não está a pensar em solicitar um casamento religioso com um padre a dar a sua bênção e a desejar que o casal seja feliz e tenha muitos meninos.
È natural que se queira partilhar os bens em vida e na morte e para tal, qualquer contracto servirá.
Estarei a ver no seu problema um desejo de protagonismo e, vencida mais uma natural barreira, partirem para outra luta fracturante?

Quanto ao resto vamos ver se consigo pôr o meu pensamento muito claro.
A mim não me interessa o que uma, duas ou mais pessoas fazem na privacidade de suas casas ou de um qualquer clube especializado.
Incomoda-me sim, que em público protagonizem cenas do privado, e isto aplica-se mesmo aos casais normais quanto mais aos outros.
É muito possível que não consiga reparar mas quando protagonizam esses desfiles estão simplesmente a exibir uma grotesca diferença que serve principalmente para gáudio daqueles que nos passeios vos fotografam.
O pudor e o recato são parte integrante da mulher.
Tanto assim que uma própria lésbica se confessa:



Houve uma cena que me marcou para todo o sempre e fez-me entender que eu não sou assim tão liberal quanto eu pensava que era… vi um threesome, três mulheres, uma delas seria a líder e entrou acompanhada de outras duas que a beijavam à vez… foi algo alucinante para mim, e só não levei um cascudo da líder porque estava escuro e ela não deve ter visto o meu ar horrorizado!Dentro do género portanto eu encontro-me encostada ao lado mais conservador da coisa, gosto das coisas feitas com rigor, com decência, com honestidade e dignidade.


E por falar em normalidade (entenda-se a palavra pelo seu real valor e não se pense que estamos a falar em nenhum Shrek).
Temos que ser sinceros.
Ou se é ou não se é.
E a verdade é que o normal é um homem amar uma mulher e vice-versa, ora se isto é normal, como é que a senhora (se por acaso for a parte activa da relação, peço desculpa) quer chamar aos outros?
Pois, diferentes, mas a verdade é que não correspondem ao padrão da normalidade que mal ou bem têm servido para a espécie continuar.
Seria bom não confundir normal com natural.

Acho que coloquei o que penso sobre o assunto.
Resumo:
Em privado façam o que entenderem, em público comportem-se como as senhoras que são, penso eu.

17 Jul 2007

Hoje o Sol está encoberto



Um dia realizou-se uma corrida de automóveis em Moscovo patrocinada pelo Partido do Povo.
Concorriam dois carros, um americano e um soviético.
Como é natural o americano ganhou com dez voltas de avanço.
O Pravda no dia seguinte titulava:
O amado carro do povo ficou em segundo lugar enquanto o carro do imperialista americano ficou em penúltimo.
Isto não é publicidade, não é mentira e aconteceu mesmo.

O que já entra no caminho da anedota são as palavras que o funcionário escolhido pelo PCP-PEV para concorrer ás eleições para a câmara disse.
E o que disse ele?
Pois qualquer coisa como “somos a terceira força política, a votação em nós é uma prova de confiança e de rejuvenescimento do partido e estaremos sempre, sempre ao serviço do povo”.
Se não foi bem isto desculpem, posso ter posto a cassete errada.

O PCP-PEV ficou em quinto lugar, perdeu 13573 votos, quase metade dos eleitores de 2005 sendo derrotado por dois independentes e elegeu à tangente além dele, outro.
De vitória em vitória até à derrota final, camaradas!

Saramago, O homem













16 Jul 2007

Pura Magia


Dia 22 de Julho no CCB às 21:00

Pianista e compositor, Esbjörn Svensson nasceu em 1964, em Västeras, na Suécia. Com a música no sangue – a mãe era pianista clássica, o pai estava ligado ao jazz – estudou e formou-se em música na Universidade de Estocolmo. e.s.t, o trio agora apresentado, foi formado em 1996. Desde então, gravou nove discos, muitos dos quais receberam as mais elogiosas críticas. Esbjörn Svensson é um músico aberto a novas experiências, particularmente interessado em sonoridades menos habituais no jazz. Há quem diga que a sua música é uma forma de arte que não se escuda na segurança de um estilo determinado e que, como tal, torna-se mais efectiva. Detentor de um fraseado pianístico particular, o pianista tem criado uma música improvisada, integrando elementos electrónicos e combinações de texturas, com soluções harmónicas e variações melódicas surpreendentes.
A partir de meados dos anos oitenta, foi consolidando o seu estilo e definindo uma linguagem única, apoiada no reforço de excelentes e igualmente criativos músicos: o contrabaixista Dan Berglund e o baterista Magnus Öström.
(Texto retirado do panfleto do CCB)

15 Jul 2007

É sobre fufas


Disclaimer
Este post têm afirmações que são repudiadas pelo Bloco de Esquerda, pela ILGA e pelos LGBT.
Se isto o(a) incomoda, não leia.
Usa ainda palavras que são (ou vão ser) proibidas na escrita comum.
Se alguma incomodar algum grupo étnico ou social, afirma-se que não foi essa a intenção.


Vivemos num mundo muito complicado.
É o mundo do faz-de-conta.
É o mundo do politicamente correcto, das palavras verdadeiras, proibidas.
Já não há bandalhos, há jovens.
Os grunhos que batem nas professoras são crianças emocionalmente instáveis de famílias problemáticas.
Os negros agora são africanos, afro-europeus, afro-americanos ou outra mariquice qualquer (a propósito mariquice também já não se pode usar).
Passou a haver auxiliares de educação e claro técnicos de limpeza urbana.
Isto porque há profissões que chamadas pelos nomes são degradantes, dizem eles.
E, fatal como o destino, a moda chegou ao sexo.
As antigas fufas e paneleiros passaram a integrar o subgrupo LGBT.

Eu, confesso a minha ignorância e espanto, não sabia que havia tantas e tantos.
Mesmo não se reproduzindo o que não deixa de ser uma bênção divina.
Ora uma simples crónica colocada há uns dias suscitou uma séria de comentários indignados e alguns insultos avulsos.
Um dos insultos, aliás recorrente, é de quem é contra estas modas tem algum problema mal resolvido, como se, na opinião deste subgrupo, todos quiséssemos ou devêssemos ser iguais a eles.

O que se questionava no post era a duplicidade de atitude entre a vida normal e uma parada em que orgulhosamente se mostravam como LGBT’s maneando ao Mundo.
Primeiro pensei que era por vergonha mas reflectindo melhor vi que não.
A vergonha é igual em público ou no privado e se num dos lugares não mostram qualquer pudor em se lamberem umas às outras, porque razões teriam de o fazer em público?

Não, a verdade reside em que mesmo elas têm a noção que a sociedade não gosta destas modernices não acha isto nada normal e não aceitaria com singela paciência que mostrassem em público o que fazem em privado.
Um dos argumentos mais debitados é que o lesbianismo é normal, é natural, só falta dizerem que é obrigatório.
Mas não é.
Se fosse normal todas o seriam.
E então o que aconteceria à humanidade.
Já ouviram alguma criança que diga que o pai é um dildo
?

14 Jul 2007

É do meu tipo



José Coiceiro declarou hoje à imprensa que já escolheu o seu futuro carro.
É o Vinci GT montado quase totalmente em AllPortugal.
-Tem tudo a ver comigo. É lindo, cor desportiva, boa bagageira para os troféus, quando conseguirem que o motor funcione vai ser um sucesso, como eu já estou a ser.

The new-neo portuguese realismo


Ana Sá Lopes (não sabe quem é! É a miúda da foto, e se não gosta não estrague) tem hoje uma crónica de arromba aqui .
É de arrancar lágrimas da calçada e vamos tentar resumir aquilo que daria um bom épico no cinema.

Mariazinha, no bilhete de identidade Maria Constança Prazeres, é uma pobre solteirona a caminho dos 35 anos trabalha numa imobiliária a vender tarecos e gosta de ir ler livros muito caros (os daquele senhor brasileiro Coelho) à FNAC sentada naquele banquinho das borlas.
É doutora.
Mas apenas naqueles cursos light que neste caso é o de História.
Bem lhe dizia o Pai, Mimi tu era melhor tirares um curso a sério, daqueles de homem, sei lá gestor de activos empresariais, e ela só dizia maneando o cabelo, papá isso tem matemáticas, números, faz rugas, deixa-me ser eu, viver, libertar-me, depois falamos.

E não voltaram a falar porque a Mariazinha depois de tirar o curso numa privada (balúrdios meus, mas o cartão ficou bonito) não arranjou emprego.
Os bons lugares já estão ocupados há trinta e três anos e embora na idade em que se desabrocha (parece ter mais) não consegue uma cunha, um empenho, mas porquê.
A resposta segue já.

E, para não vos tirar o prazer de ler a crónica, Mariazinha vai caminhando de volta a casa, olhos no chão (ponha uma lágrima Senhor Realizador) e chega a casa.
E, e, calma meus, o que é que encontra?
Claro que já adivinharam.
ANDREIA, uma brasileira com quem vive e que coitadinha está sem documentos e só sobrevive com uns passitos de dança que faz no Elefante Branco enquanto de dia (bem de tarde) faz um part-time numa loja de perfumes no Colombo.

È aqui que está o problema.
À pobre da Mariazinha falta aquilo que também é peça imprescindível no cozido à portuguesa.
O chouriço na brasa.
A Ana saberá disto?


13 Jul 2007

Prá praia, em força !



Lisboa tem quinze problemas.
Os primeiros doze são muito fáceis de identificar e dão pelo nome dos senhores concorrentes às eleições de domingo.
Nunca, tanto quanto me lembre, uma campanha apresentou tantos e tão diversos concorrentes que tinham apenas uma coisa em comum.
Não valem a deslocação numa manhã de domingo a uma assembleia de voto para depositar o papelinho.
Claro que alguns ainda são mais iguais do que outros e a pérola reside no candidato de El-Rei que não conseguiu articular uma singela ideia.
Melhor diria, ele não consegue sequer falar um português escorreito.
Da direita à esquerda de cima abaixo, até eu conseguia fazer melhor.

Os outros três problemas são mais graves e, claro está, nenhum dos candidatos disse algo que valesse a pena recordar sobre eles.
A saber:

A Câmara tem o dobro de empregados de que necessita e uma quantidade absurda de empresas municipais que precisa de extinguir.
Sobre isto, claro está, disseram nada.
Quem é que quer ficar ligado a despedimentos, ora essa.

Depois temos o absurdo de Lisboa estar dividida em 53 freguesias que dão, deixa cá ver, praí 530 lugares para girls e boys.
Quem é que, em seu juízo perfeito, se arrisca a dizer que vai dar uma vassourada nisto.

Em terceiro lugar temos o trânsito.
Aqui os candidatos têm montões de ideias, vão fazer isto, mudar aquilo, implementar (gosto tanto desta palavra) aqueloutro, foi um fartote.
O que eles não sabem é que a Câmara manda peva no trânsito e nos transportes públicos.
Veja-se o exemplo da Dra. Marina “Gastadora” Ferreira que felizmente no dia 16 já estará como boa girl noutro job qualquer.
Como o dinheiro não é dela resolveu gastar uns milhões de euros e plantou uma data de radares em Lisboa.
Depois gostava que nalguns sítios se andasse a 80 quilómetros mas como não manda em nada não lhe deixaram fazer isso.
E agora para completar as multas a haver, serão decididas pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
O que pode acontecer ao desgraçado do automobilista, não à Marina que essa alguém a transporta, é ser multado duas vezes pela mesma infracção.
Uma através da Câmara outra pela PSP.
Esquisito?
Estamos em Portugal, não se esqueça.

Homenagem às mulheres


Meninas de bicicleta
que fagueiras pedalais
quero ser vosso poeta!
ó transitórias estátuas
esfuziantes de azul
louras com peles mulatas
princesas da zona sul:
as vossas jovens figuras
retesadas nos selins
me prendem, com serem puras
em redondilhas afins ...
Vinicius de Moraes

12 Jul 2007

O Tavares Remediado



Rui Tavares é um dos maiores pensadores portugueses vivos e escreve, claro está, no Público que graças a ele e a outros ambiciona estar entre os cem maiores jornais de esquerda da Península Ibérica.
Parabéns a todos!

Hoje, abandonando o estilo racional que tanto o caracteriza, resolveu abrir a alma e explicar-nos como vota.
E explica claramente. Vota sempre à esquerda. E vota também nas eleições estrangeiras. Prefere Putin a Bush e claro Fidel a Blair, (isto sou eu a pensar, claro está).
Agora quase que ia tendo um problema na votação para a Câmara de Lisboa.
Onde há muita fartura a escolha é difícil.
Ele é Costa, ele é Sá Fernandes, ele é Ruben, ela é Roseta (o Grande Pensador não inclui o Líder da Classe Operária na lista não sei porquê) e portanto a dificuldade aumenta, até porque votou Fernandes e está satisfeito.

Mas o Grande Pensador, não vota em programas nem em nomes, vota em situações.
Atentemos:

Aqui entra a parte táctica do voto: se António Costa estivesse em risco de perder esta eleição, não hesitaria em mudar a minha escolha. Se Roseta ou Ruben estivessem em risco de não serem eleitos, consideraria a hipótese de lhes dar uma mãozinha.

É fantástico como estas pessoas conseguem pensar de uma maneira tão profunda e vendo tão longe que até assusta os normais, eu por exemplo.
E é por isso que mesmo custando-me uma fortuna comparado como que vale, nunca deixarei de comprar este grande diário de esquerda.
Diverte-me.

10 Jul 2007

Lésbicas e afins


Disclaimer
Avisa-se que este post não é politicamente correcto, defende valores e regras de conduta do antigamente e pode ser considerado homofobo.
Se fica incomodado(a) com isso, por favor, não leia mais.


As sete pragas bíblicas estenderam-se à blogsfera e toda a gente desatou a nomear os melhores sete disto e daquilo e depois como o país é pequenino abrandou-se a velocidade e começaram a aparecer os melhores cinco, comida, livros, discos e tudo o mais que vier à cabeça.
Já agora, e como uma das perguntas é qual a palavra favorita, a minha é desabrochar.

Acho muito bem, é divertido e dá uma imagem do que as pessoas fazem ou pensam.
E como sou muito curioso comecei a saltar de link em link conforme via as nomeações dadas.
Sem saber como entrei no link de uma senhora lésbica e depois esta tinha cinco para outras e as outras mais cinco vezes cinco e assim sucessivamente, um h.o.r.r.o.r.
Confesso, não sabia que havia tantas e de acordo com aquela saborosa anedota sobre a versão masculina deste desvio, que postula “os homossexuais embora não se reproduzam aumentam todos os anos” não é admirar porque é que cada vez há menos nascimentos.

Mas isto tudo era apenas para vos mostrar uma perplexidade, uma duvidazinha.
Num dos blogues há lá monte de fotos de uma das senhoras lésbicas numa ida a Madrid para uma feira.
Acontece que as fotos estão de cara tapada.
Mas porquê?
Então em Madrid andam à vontade e aqui têm vergonha?
E já agora a referida senhora, do que se vê uma mulheraça, é conhecida pelo seu empenho pelas bejecas, diz a namorada.
E isto leva-me, é como as cerejas, a uma grande questão, diria mesmo A Questão.
Se algumas destas senhoras são quase homens como é que se permite que, por exemplo, uma Amelie Mauresmo defronte pequenas ninfetas num campo de ténis a quem esmaga com a força daqueles brações?

Não devia haver uma terceira categoria, homens, mulheres e outros?

Um Frei Tomás português



O senhor Doutor Malheiros na sua crónica de hoje emprega a palavra fascista.
E faz muito bem, porque em cada dois artigos ele descobre um fascista aqui e ali.
O fascista de hoje é aquele que no seu lugar de trabalho repreende e manda retirar publicidade política que envolva de uma maneira “jocosa” o seu superior hierárquico.
Também pode ser fascista aquele que no emprego (tem que ser na função pública, porque no privado há regras) não deixar criticar em voz alta o patrão.
A crónica do senhor Doutor Malheiros é toda ela um monumento de cinismo (atenção senhor Doutor, isto não é insulto, é apenas uma piada jocosa) porque nunca refere que todos os casos foram passados dentro dos serviços e faz crer que a crítica na rua, no café, no partido está proibida

Acontece que este mesmo senhor Doutor é o responsável pela edição on-line do jornal onde trabalha.
E não gosta de críticas.
Este jornal deve ser o campeão da asneira na Internet e a sua edição on-line está sempre cravejada de erros.
Nunca responde a nenhum dos emails que lhe são enviados.
Mesmo um enviado ao provedor do leitor, o cujo respondeu que o iria enviar para o responsável da asneira com um pedido (vejam bem um pedido) de resposta, não a obteve.
Este senhor doutor devia era chamar-se Tomás.

Para se ver a arrogância que os jornalistas hoje julgam ainda poder ter, uma nota do Conselho Regulador da ERC vem publicada com a foto de cinco membros do referido conselho.
Para quê?
O que é que a foto acrescenta à notícia em si.

8 Jul 2007

A oitava


Vi bocadinhos da emissão da TVI dedicada a eleger as novas sete maravilhas do mundo.
Gostei imenso.
Os tugas portaram-se à altura e deram uma imagem muito gratificante do que são ao mundo.
O meu querido Estádio da Luz devia estar aí um bocadito para lá de metade, mais ou menos o que faremos quando o Leixões (sejam bem vindos) nos visitar.
Quando anunciaram a chegada do ex-namorado da Fernanda Câncio (sua marota, faltou à parada gay no Porto) houve uma monumental assobiadela.
Trivial, todos os jogos aqueles fulanos com um apito na boca (eu bem sei onde os deviam meter) apitam horrores, oiçam bem h.o.r.r.o.r.e.s. contra nós e depois assobios e chamamentos ás suas queridas mães é o que mais há.
Depois houve outra assobiadela quando anunciaram qualquer coisa “da liberdade”, o som estava uma miséria, não percebi nada.
Mas era natural.
Então não sabiam, que muitos saudosos do tempo do PREC, vêem ao nosso querido Estádio apenas para se sentirem no meio de vermelhos (que por acaso são encarnados)?
E do que eles não gostam mesmo nada é da Zita e da liberdade.

Depois foi o SHOW.
Beautiful meus, para mostrar ao mundo e como não temos sete maravilhas arranjaram três (uma bisou) senhores artistas para cantarem, adivinhem?, isso mesmo O FADO.
Lindo, moderno, prafrentex, nação moderna e imortal.
As coreografias eram lindíssimas, dizem-me mesmo que Freitas (tinha ido à casinha, compreendam) esteve muito bem, pena não ser Inverno para usar aquele lindo sobretudo verde, quando ele era sobretudo do CDS, que ainda não era PP.
(Isto é uma rasteira para o Negrão, vai confundir tudo).

Os artistas estrangeiros, maravilhosos.
Não ponho o nome.
Só conheço, de vista, o Carreras que o senhor apresentador da TVI queria que fosse Sir.
Tem desculpa.
É adepto do FCP.

7 Jul 2007

Ui ca medo!


O Público tem uma edição on-line que todos os dias vem cravejada de erros.
Hoje por exemplo ilustra uma historieta sobre o “esqueleto” de um hotel chamado de mamarracho junto ao Tejo em Santarém com uma bonita fotografia de um não menos lindo palacete.
Todas as reclamações feitas tiveram como resposta um imponente silêncio.
Os seus senhores jornalistas estão sempre na primeira linha de atacarem tudo o que esteja ou pareça estar mal feito.

Hoje São José Almeida, que eu julgava que era um homem mas agora que na edição on-line graças a uma fotografia miniatura dá ideias de talvez ser uma mulher, vem aterrorizada dizer-nos que “De repente, acordámos e o país é outro. O clima de medo e delação está instalado.”

Vocês deram por isto?
Eu medo, medo só sinto quando tenho que apanhar o comboio da linha de Sintra à noite por causa dos “jovens”.
Mas a jovem senhora não se fica por “suponhamos”.
Sabe mesmo do que fala.
E reza assim:

Os jornalistas são domesticados pela lei. Calados pelo medo. Avisados de que o poder político está disposto a impor regras arbitrárias e antidemocráticas para não ser questionado nem incomodado.

Portanto temos que tirar daqui que S. José é uma espécie de Jona d’ Arc que não se importa de ser grelhada na fogueira ao dizer estas verdades tão horríveis num país transido de medo e onde cada um teme ser executado pela madrugada.

Mas S. José não se cala nem está com meias palavras e gratuitamente fornece um bom naco de prosa para se ler ás criancinhas quando elas não quiserem comer a sopa, porque ela vê, ela sente que está em marcha

Uma revolução feita de cima para baixo, imposta pela classe dirigente, pela nova aristocracia, contra os que só trabalham. Uma revolução que tem como finalidade retirar os direitos sociais, económicos e, pelo que se vê, até cívicos e políticos. Através da instauração de um clima de medo.

Não haverá por aí uma alma caridosa que receite um calmante à senhora?

O marido é sempre o último a saber.

5 Jul 2007

Zita Seabra


Muito obrigado pela esclarecedora entrevista dada a Judite Sousa.
Espero que os portugueses tenham finalmente percebido o que é o partido com paredes de vidro.
A excelente lavagem de roupa suja, os controleiros, a descolonização exemplar, os ataques à democracia em Portugal, bem explicadinhos.
Espero que o livro seja um sucesso.
Vou, claro está, comprar.
Juventus Football Club em 1898

4 Jul 2007

O povo unido blá blá blá


Este é que é o verdadeiro artista nacional.
Vai a todas.
Concorre a presidente da República, a primeiro-ministro e agora a presidente da Câmara.
Mais houvera, a mais ele concorreria.
Parece que isto também dá uns subsídios, que vêm sempre a calhar.

Hoje, entrevistado pela doutora Patrícia Susano Ferreira, que escreve para aquelas folhinhas que são distribuídas de borla nos comboios, descobre as receitas milagrosas para Lisboa.

Vamos então ouvir este simpático par.

O que traz de novo?

Um motor de desenvolvimento não apenas do País como da própria Europa (isto referindo-se a Lisboa)

Em que consiste esse plano?

Primeiro, um grande aeroporto internacional…O segundo seria o porto, pois Lisboa é uma cidade marítima e tem condições geoestratégicas para ser a porta de entrada na Europa de produtos e pessoas e depois, uma ligação ferroviária ao resto da Europa, não necessariamente a Madrid.

Por caridade para ambos vamos ignorar as outras medidas que o entrevistado adiantou à entrevistadora.

O Doutor Garcia é um bem caro advogado da nossa praça, mas nestes assuntos balbucia como uma criança.
Se ele antes de começar a ser a vanguarda da classe operária pegasse num mapa Michelin verificaria que contrariamente aquilo que sonha acordado, Portugal nunca terá um grande aeroporto internacional, pois ninguém em seu juízo perfeito viaja para a Europa tendo como porta de entrada Lisboa e pelas mesmas razões o mesmo se aplica ao tráfego de mercadorias.
Quanto ao tráfico já não tenho tantas certezas.
Este reage mais em virtude do laxismo das entidades do que de atractivos portuários.

E finalmente tinha sido uma boa oportunidade para a “jornalista” lhe perguntar por onde é que ele nos quer ligar à Europa sem ser por Madrid.
Será que ele ainda não sabe que o fulano que era dono da Albânia já morreu?

3 Jul 2007


Miguel Sousa Tavares é o maior escritor português vivo.
É também o maior cronista vivo.
E por acaso também é o mais famoso comentador de televisão.
Só há uma coisa onde ele é ainda mais independente e mais conhecido.
É quando escreve em A Bola elogiando o FCP.

Na sua última crónica no Expresso escreve sobre a vida íntima de Diana de Gales e sobre o que ela valia como pessoa, embora ela nunca tenha estado em São Tomé e ele não siga os conselhos do santo do mesmo nome.

Agora o que achei muito mas mesmo muito curioso foi a forma como ele se refere aos supostos lovers boys que ele classifica como : o ajudante de campo, o colega de ginásio, o vendedor de carros o «marchand d’art», o paquistanês, o «sikh», o «playboy» egípcio.

Não estão a ver aqui qualquer coisa de esquisito?

2 Jul 2007

Nice tea, Sir


A Al-Qaeda deve ser muito estúpida.
Que eram um bando selvagem de cobardes assassinos já toda a gente sabia agora que esperassem assustar os britânicos com a tentativa de pela segunda vez praticarem um atentado em Londres só naquelas cabecinhas podia ocorrer.

É bem possível que dentro de cinquenta anos a Europa tenha deixado de existir, absorvida pela adesão da Turquia e pela entrada indiscriminada de milhares de magrebinos, muçulmanos e asiáticos a granel.
Felizmente já cá não estou para ver.

Mas mesmo assim tenho a certeza que mesmo nesses futuros e negros tempos um bastião resistirá.
Nunca, ninguém, vergará os britânicos.
Para quem tenha dúvidas recomendo que veja este filme cujo cartaz ilustra o post.

24 Jun 2007

Sempre os últimos


Portugal já foi um grande país e um país grande.
Era no tempo em que os animais não falavam e muito menos governavam.
Isto é necessário que se diga para que as pessoas com menos de trinta anos não julguem que sempre fomos esta vil e apagada tristeza.

Terminou mais um campeonato de hóquei em patins e ficamos na pior classificação de sempre, repito de sempre.
E aqui faço uma singela homenagem aqueles que nos tornaram maior entre os maiores.
Na minha juventude o meu herói era o Emídio Pinto.
Era guarda-redes. Defendia tudo.
Já tinha havido o Jesus Correia, depois vieram o Adrião e o Bouçós.
Eram de Moçambique.
E o incomparável Livramento.

Hoje nisto, como em tudo, deixámos de ser campeões e já não valemos nada.
Pode parecer que não tem importância.
Mas tem.
É o sinal dos tempos.

20 Jun 2007

Novos Tempos


Houve um tempo muito feliz, aqueles em que os animais falavam e os jornalistas não eram incomodados nas suas opiniões.
Só existiam as “cartas dos leitores” e essas eram (e são) cuidadosamente filtradas.
Mas tudo o que é bom acaba na vida e de repente começaram a aparecer os blogs e de um momento para o outro todos passaram a ser jornalistas a terem ideias, a publicá-las e pior ainda a criticarem aqueles que antigamente eram os detentores de toda a sabedoria.
Claro que isto tem perigos como ficou agora amplamente demonstrado com a chamada a um juiz de um colega blogger que tanto quando sei apenas disse verdades.

Ora verdades é o que hoje não escreve o senhor doutor Manuel Carvalho mui ilustre jornalista do Público.
Primeiro fica muito ofendido porque
um jornalista que desempenha um cargo directivo no Jornal de Notícias decidiu participar numa acção de protesto contra a cedência de um espaço público, o Teatro Rivoli, a Filipe La Féria; o jornalista é filmado sem autorização no exercício dos seus direitos de cidadania.
Vocês estão a ler o mesmo que eu?filmado sem autorização!.
Então quando o pacato cidadão é encurralado contra uma parede e lhe espetam microfones pelas ventas abaixo, se feito por um jornalista é lindo é o direito à informação, mas se for apanhado numa manifestação contra uma coisa qualquer com um cartaz na mão, já é um abuso.
Abuso é escrever-se disparates destes.

Mas nem é isto que interessa, o que interessa é que o senhor jornalista continua a ignorar a verdade.
Diz ele
Rio limitou o acesso a subsídios municipais a agentes da cultura que se abstivessem de o criticar publicamente.
Antes de continuar o que é que ele diria se numa crónica o tratassem do principio ao fim por Carvalho para aqui e para ali fazendo de contas que ele não tinha um primeiro nome?
Vamos lá a ver se este ignorante aprende de uma vez para sempre.
Rui Rio proibiu os agentes culturais que tivessem recebido subsídio de criticarem a Câmara e não ele (julgará o Carvalho que isto é a Albânia?) sobre exactamente o evento para o qual já tinham recebido o dinheirinho.
Parece normal.
Até os cães lambem a mão de quem lhes dá de comer.

É por isto que os blogs se afirmam cada vez mais porque neles a opinião é verdadeiramente franca e todo o contraditório está em aberto pois a maioria (infelizmente não todos) permite o comentário e a critica.
É assim que deve ser.
Ninguém, nunca, nos calará.

15 Jun 2007

Faça aqui o seu aborto



Fernanda Câncio é jornalista e começa os seus escritos por aquela palavra que os absolve.
E hoje “parece-lhe” que os médicos de um hospital nos Açores (cujo nome ela aproveita para fazer uma deliciosa blague no título) se declararam objectores de consciência para não fazerem abortos segundo instruções das mulheres grávidas.
E fica admiradíssima de não haver nos Açores mais ninguém que os faça.
E de delírio em delírio compara os Açores à Irlanda.


Mas fc (é assim que ela gosta de ser tratada) não compreende porque é que estes mesmos médicos se recusam a seguir as indicações das grávidas, mas ao mesmo tempo não se recusam a cumprir a lei que determina o aborto em determinadas condições.
E fc tem já uma solução na manga.
Despachar para os Açores médicos que não sejam objectores de consciência.
Estes socialistas sempre foram uns grandes paladinos de mandar na vontade dos outros.

13 Jun 2007

O olho do vizinho



Exmo. Senhor Doutor Joaquim Fidalgo
Excelência:

Publica hoje V. Exa. no jornal de que é, justamente, uma das maiores figuras uma feroz sátira sobre um outro parceiro, eu ia a dizer concorrente, de lides jornalísticas.
É ele “O Sol” e V. Exa. acusa-o de manhosamente ter deitado a ideologia fora e começar a oferecer brindes a torto e a direito, por enquanto uma biografia de inatacável interesse e terminar num qualquer faqueiro.
E adianta que vai deixar de o comprar.
Confesso que aqui m’admirei (como diria um vosso estimado colaborador) pois eu pensava que vós, os senhores jornalistas, tinham todos os periódicos de borla.

Acontece que eu tenho que comprar ambos.
De “O Sol” já sei o que esperar.
São dois euros que agora graças à publicidade que uma cadeia de cinemas (não, não sou tão parvo que vá pôr aqui o nome para os ajudar) resolveu fazer, fica de borla se for aos seus cinemas.
Repare V. Exa. Senhor Doutor, não é para ir ao cinema.
É para ir a determinados cinema.
Faz a diferença, não é verdade?

Agora o que me traz aqui, é outra coisa.
É que de “ O Público” , que pago na sua versão on-line, nunca sei o que esperar.
É verdade que o senhor Procurador já me informou que os vossos problemas informáticos derivam de estar a mudarem de andar (uma desculpa muito boa para o funcionalismo público, não acha?).
Olhe na última sexta-feira não houve jornal, no sábado apareceu por volta das dez da manhã, o que já não é novidade.
Até se conseguem ler as indicações para os gráficos.
E V. Exa. Senhor Doutor saberá que a sua crónica, uma vez, até veio classificada como Lixo?
Até mandei uma carta, claro que sem resposta, a criticar o desaforo.

Excelência:
Antes de criticar muito justamente os outros, acuda a estes humildes pagantes do seu jornal.

Muito Grato
A Bem da Nação.

12 Jun 2007

Dá que pensar


Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Esta simples frase, dita centenas de milhares de vezes pelos portugueses, todos os dias, põe pessoas como a Ana Drago (por onde andará que não temos visto aquela carinha laroca) completamente fora do sério.
E claro, juntam logo a grande necessidade de tirar os crucifixos das salas de aula em vez de se proporem colocar a matemática ou o português na moda.
É curioso que a esquerda sempre teve uma particular aversão a toda e qualquer religião particularmente a católica, porque diz ela, faz a cabeça das pessoas ou no pitoresco discurso de um grande político português no activo origina derivas sociais-democratas!

Claro que estas pessoas de cabeça desfeita, são só aquelas que não seguem a Grande Cartilha (aliás outras forma de religião) porque aqui, embora todos pensem o mesmo e os braços no ar se levantem respeitosamente apoiando, é tudo pelo bem comum e para depois, irmãos, podermos ir lá fora convertê-los, à força se necessário, claro.

É legitimo ficar preocupado com os fanatismos, de um e de outro lado, mas ignorar e hostilizar uma percentagem esmagadora de portugueses, não me parece ser a melhor solução.
Tudo isto a propósito de uma ida que hoje fiz para tirar umas fotos ao Campo Mártires da Pátria.
Como sabem está lá a estátua do Prof. Doutor Sousa Martins , que por acasos que não vêm ao caso é por muita gente considerado um santo.
A Igreja, tanto quanto sei, não lhe reconhece qualquer santidade que não faz diferença nenhuma a quem precisa, procura e pede.
Da fé dessas pessoas, das suas angústias, das suas dores, lá está uma quantidade admirável de oferendas.
Eu sei que para muito é uma manifestação de obscurantismos, de ignorância de lamechice.

Eu por mim acho que as devemos respeitar, provavelmente como elas me respeitam a mim.

Unidos Jamais Serão Comprados


Os Gatos Fedorentos são um caso de sucesso em Portugal.
Vindos de um canal da televisão por cabo, conseguiram chegar à televisão pública por via de um erro de programação praticado por um gestor privado.
São uma espécie de Seinfeld à portuguesa misturado com umas pitadas de Jay Leno sendo que de comum têm, também, o terem um líder e outros que fazem número.
Usam muito bem, aquele público idiota que ri de tudo apenas para poder dizer, estive lá, são bués de giro.
São especialistas em publicidade e fizeram um belíssimo contracto com a Portugal Telecom.
Mas nada disto chegaria para fazer deles monumentos nacionais inatacáveis.
Era preciso o golpe de asa.

E ele apareceu de uma das duas maneiras para se ter grande sucesso mediático aqui no cantinho.
Afirmaram-se de esquerda, apoiaram todas as causas fracturantes, o seu líder (num momento de delírio) afirmou mesmo ser do PCP e finalmente publicaram O Cartaz.
E com isso recolheram a crítica unânime dos senhores jornalistas que seguiram o sábio conselho “ não vi e gostei”.
Quem se atrevesse a sugerir que a maioria dos programas não tinha qualquer valor podia esperar uma rodada de ignorante ou de fascista do humor.
Pode dizer-se, mas assim perderam independência.
Pois, mas ganharam dinheiro, muito dinheiro.

9 Jun 2007

Mayday Mayday


De acordo com esta informação a Ibéria que opera 31 aviões A340 num misto de modelos 300 e 600 planeia duplicar a sua frota neste modelo para 60 aviões para efectuar a ligação entre a América Latina (LATAM) e o Oriente tendo, claro, como placa giratória Madrid e o seu renovado, ampliado e melhorado Aeroporto de Barajas.
Também de acordo com notícias lidas em vários sítios de aviação a British Airways planeia lançar uma OPA sobre a companhia de bandeira espanhola tudo isto a ser efectuado ou não até ao fim de 2009.

Portugal é um país pequeno, cada vez mais pequeno, e é neste mercado que os nossos governantes com uma companhia de bandeira que opera 4 A340-300 (não posso garantir este número porque o site da TAP esteve sempre indisponível) esperam encher o novo aeroporto internacional a construir no arrozal da Ota até 201x e criar uma grande plataforma intercontinental conforme os nossos sábios demonstraram no último concurso de televisão.

Há duas coisas quase absolutamente certas, sendo que uma é absolutamente certa.
Provavelmente já cá não estarei quando o disparate aterrar.
De um preço de 3,1 mil milhões de euros sem acessibilidades incluídas, o preço final será de (perguntar à Maya, mas sempre, sempre de dois dígitos).

Mas o povinho fica mais entusiasmado se as notícias forem sobre a pequenita inglesa e assim não há volta dar.
Não de esqueçam de desligar a luz quando o país fechar.

6 Jun 2007

Têm que voltar à primária




Lê-se, e é melhor acreditar.


A CGTP-PCP está muito contente com a greve geral, considerando que teve um forte impacto na redução da actividade económica e nos serviços públicos e dizendo que contou com a participação de mais de 1,4 milhões de trabalhadores.
Deixemos agora de lado os números que os comunistas desde sempre nos habituaram a não serem credíveis nesta matéria.
Já Lenine tinha mandado matar milhares de russos e ainda eles cantavam hossanas à revolução de Outubro, depois o grande Stalin quase que desertificava a Rússia e eles acreditavam nos amanhãs que cantam.
Pol Pot foi um simples acidente de percurso, embora os seus milhões de caveiras não sejam de desprezar. Fidel e Che heróis populares que aliás dão muito boas tee-shirts.
Praga e Budapest apenas são conhecidas como cidades muito lindas onde, agora, se pode passear e falar livremente.
Mas nem em todos os números os comunistas tropeçam, não senhor.
A Pide é responsável por vinte ou trinta mortos e eles dizem que foi uma hecatombe nacional. Mesmo assim ainda há quem chegue aos noventa anos depois de ter estado no Tarrafal.
Adiante.


Ora o que nos traz aqui é verificar o contentamento do senhor Doutor Carvalho da Silva por a greve que o Partido Comunista “Português” lhe mandou fazer ter, nas suas palavras, prejudicado a economia portuguesa.
Mas afinal os comunistas não querem o melhor para o povinho? Então se assim é como é que ficam contentinhos quando a produção baixa e aumenta a possibilidade de trabalhadores irem para o desemprego?
E o Grande Líder dá vários exemplos de muito sucesso e entre eles destaca a AutoEuropa, onde a greve foi parcial. Ora bem, convém dizer que esta empresa é a maior exportadora nacional e um pilar forte da nossa economia. Tem uma saúde laboral e um pacto social digno de admiração e que pode servir de exemplo para todos os grandes grupos.
E foi aqui que um pequeno grupo conseguiu prejudicar a empresa, os restantes trabalhadores e eles próprios com uma greve sem qualquer sentido. Estes amnésicos nem sequer se lembram da lutas que a Comissão de Trabalhadores da Opel da Azambuja protagonizou e que levou a que agora estejam todos de punho cerrado no desemprego e a outra mão atrás.
Foi aliás esta empresa que o senhor Doutor Anacleto Louça escolheu para ficar bem na reportagem das queridas televisões.
Com esta gente, vamos todos para o paraíso socialista. Pobrezinhos mas limpinhos.

É limpinho

5 Jun 2007

Lá vamos, cantando e rindo


Portugal já foi um grande país.
Foi grande no tempo das descobertas, era grande no tempo das províncias ultramarinas.
Mas houve sempre portugueses pequeninos e esses conseguiram reduzir essa antiga grande nação ao que hoje somos.
Uma coisa com gente cá dentro em forma de cagadela de mosca no mapa da Europa.

O programa Prós & Contras de ontem, sobre a Ota, mostrou de forma exemplar toda a megalomania que avassala aqueles que detêm o poder de gastar o dinheiro dos outros, para deixar obra.

De um lado Augusto Mateus, do outro Eduardo Catroga, dois políticos que já estiveram em funções governativas e que hoje estão colocados numa das centenas de sinecuras que eles próprios foram criando ao longo dos anos.
Lado a lado com dois técnicos que claro está com os mesmos dados conseguem ver duas coisas diferentes, uma muito boa coincidindo com a sua opinião e outra muito má, aquela sobre a qual não deram nenhum (muito bem pago) parecer.

Vale a pena acrescentar que a dona do programa esteve igual a ela mesmo.
Muito contentinha, gabando à exaustão o formato e ameaçando pôr no olho da rua, ela dizia evacuar, quem se continuasse a manifestar.

Não vale a pena estar aqui a reproduzir os delírios que ontem se ouviram, até porque num programa sobre um aeroporto, a primeira vez que se conseguiu ouvir uma opinião técnica de alguém que sabe o que diz passava da uma da manhã, foi um comandante reformado (daí o poder falar livremente) e arrasou a operacionalidade conforme o relatório mostra desde sempre, e eu próprio me fiz eco.

Houve no entanto uma frase que merece destaque, e por piedade, não vou escrever quem a disse.
Então é assim:
O TGV vai trazer muitas pessoas de Espanha, para embarcarem no novo aeroporto na Ota.E já agora outra, para fazer um par de duques.
É preciso que o TGV não termine na Gare do Oriente mas sim no centro bem perto dos melhores hotéis.
Provavelmente com um ramal para as suites, digo eu.

Portugal precisa do TGV? Não.
Portugal precisa de um novo aeroporto megalómano, para concorrer com Madrid, Londres, Frankfurt? Não só não precisa, como isso nunca acontecerá.
Portugal precisa que as capitais de distrito estejam todas ligadas por auto-estrada?
Sim, precisa disto e de muitas mais coisas.
Mas acima de tudo, precisa é de uma nova classe dirigente.
E donde há-de ela vir?
Pois, o ideal seria num avião da Ibéria da Lufhtansa ou mesmo da Virgin.
Que aterre na Portela ou no Montijo.

2 Jun 2007

Otários


Vai pela Ponte 25 de Abril (construída numa única noite) e paga 1,25 euros de portagem na classe mais baixa ou 5,80 na classe mais alta.
Ao mesmo tempo os outros dois fulanos que atravessam a Ponte Vasco da Gama (onde morreram dois pretitos numa poça de lama e a mãe ainda não conseguiu qualquer indemnização dos concessionários) pagam respectivamente mais 0,95 euros e 4,05 euros.
E você pensa, fiz bem e além disso estou a pagar para o Estado.
Está duplamente enganado.
Para que a última ponte fosse construída o Estado paga à concessionária a diferença entre as portagens, entrou com um terço do custo da obra e ofereceu ainda as portagens da primeira ponte.
Bem, desculpe, há aqui um erro.
O Estado não paga nada. Quem paga sou eu, você e mesmo o fulano que vive em Chaves e nunca vai passar nem numa nem noutra.
Mas isto está feito, está feito.
O que você se calhar não sabe é que vai ser feito novamente .

31 May 2007

Grandes amigos


Hoje não vou escrever sobre a greve geral da CGTP.
Em pequenino ensinaram-se a respeitar os mortos.

Vou só dar os parabéns ao senhor direktor pela feliz associação daquele senhor do governo de que não sei o nome com o grande actor que foi Klaus Kinski e que se mais não tivera feito, fez isto .

Agora há um episódio muito engraçado neste filme, que aliás vi e revi uma data de vezes, e que reúne esta quantidade de estrelas.
Na primeira cena em que Klaus aparece ele está a fazer umas elevações e lembro que era o terapeuta sexual da clínica.
E então ela vai contando o exercício, 1, 2, 3, 19, 43, 79 sempre seguidas.

E isto leva-nos, naturalmente, à greve geral.

28 May 2007

Red Silver


Então, é depois de amanhã!

Vão acontecer coisas muito engraçadas.
Como tenho aqui a Dona Maya ao lado, ainda que a uma distância segura para mim, consultamos as folhinhas de chá e descobrimos que:
Primeiro você é trabalhador ou funcionário público.
Se for o último caso, desligue o despertador tenha uma relação sexual extra (se a que está a seu lado for também funcionária pública, como é obvio) levante-se, vista o fato de treino e vá comprar o Record.
Está feito o dia.

Agora você não tem aquela sorte e tem mesmo patrão.
Aqui há duas coisas.
Ou tem um contracto e salte mesmo da cama, sem pressas que hoje tem deculpa, e leia antes o Destak enquanto espera nos alternativos para ver se consegue chegar ao emprego com o ar de quem sofreu a bem sofrer para picar o ponto.

Mas você pode estar a recibo verde ou mesmo em período experimental.
Aqui meu caro, vou ser mesmo verdadeiro. Está fodido.
Salte da cama, melhor ainda nem se deite, arranje-se da maneira que puder mas vai ter que estar lá no sítio onde o Diabo amassa o pão ou então prepare-se para não o comer durante uns largos tempos.

Se a coisa correr mesmo mal tem duas hipóteses.
Tem estudos?
Então vá ter com o Carvalho da Silva e peça-lhe, exija mesmo, o lugar dele ou de um dos milhares de sindicalistas (lembre-se que isto não é profissão, tem que ter o cartão do partido) que por lá andam.
Vai ser difícil, estão agarrados aos lugares como lapas.
Tirou o curso numa daquelas universidades ou não tem mesmo curso nenhum.
Bolas, é quase um caso perdido.
Só vejo uma hipótese.
Vá ter com um funcionário permanente da Carris, ou da Transtejo ou do Metro ou de uma empresa pública e troque com ele.
Não querem?

Paciência.
Contribuiu para a justa luta dos trabalhadores (claro que agora já não é) pela manutenção dos direitos adquiridos, contra o fascismo, pela amplas liberdades democráticas que como sabe estão em grande perigo.

Parabéns pela vitória.
Comemore no Centro de Emprego, mais perto de si.

26 May 2007

Grave greve


No início as greves eram feitas para pressionar o patronato.
Os empregados deixavam de trabalhar e portanto de produzir e o patrão ou recuava ou conciliava na medida que tinha espoletado a ira dos trabalhadores.
Por vezes a conciliação tornava-se impossível e normalmente o que acontecia era simplesmente os trabalhadores perderem o seu posto de trabalho.
Claro que o patrão também perdia o seu rendimento.
Parece-me uma vitória pouco gostosa.

Em Portugal há, pelo menos três classes de greves.

A tradicional cujo melhor exemplo é a da Opel da Azambuja.
Ficou muito bem nos telejornais, os senhores das comissões de trabalhadores foram entrevistados, disseram da sua justiça e agora estão todos no desemprego.

A segunda é quando não há patrão.
É o caso de, por exemplo, a Carris o Metro a CP o Funcionalismo, etc.
Não há patrão, não há contas a apresentar, ninguém é responsável, nenhuma das entidades vai criar desemprego (que aliás é proibido por lei), as empresas deste tipo dão milhões de prejuízo coberto pelo Orçamento de Estado, é tudo portanto uma espécie de ópera bufa em que todos sabem de cor os seus papéis.

A terceira é a greve contra o governo.
Aqui nem há patrão nem empregados. É um nevoeiro.
Dois pormenores.
Só conta o impacto que tiver em Lisboa, o resto é pura paisagem.
E o que é preciso é que as empresas que transportam centenas de milhares de pessoas por dia para os seus empregos não funcionem e para isso são necessários apenas umas centenas de trabalhadores.
Cuja função é prejudicarem da maior maneira possível a vida dos outros trabalhadores.

Parece esquisito.
Mas é assim que funciona.

25 May 2007

A petição


Fui ler.

A primeira coisa que me impressionou foi o tom apocalíptico ou como dizem os autores Onde estão os Direitos Humanos? parece-me absolutamente excessivo.
E é assim que se perde a credibilidade.
Ora o que está em causa é um processo disciplinar onde o acusado tem todas as amplas (gosto tanto de usar esta palavra) liberdades democráticas para se defender.
Se chamou filho da puta ao primeiro-ministro ou disse uma graçola isso é lá entre ele e o delator uma vez que a cada um a sua palavra.
Nada disto teria acontecido se o professor estivesse a dar aulas, uma coisa que já não faz há vinte anos.

A segunda coisa que me incomodou foi que cerca de metade das pessoas que assinavam, excluindo aquelas que apenas o faziam para achincalhar assinavam com nomes pouco mais que anónimos.
Tanto quanto me lembro apenas uma pessoa coloca o número do Bilhete de Identidade.
E nem vale a pena virem argumentar que têm medo de ser punidos pois embora redigida em tom que faz supor o início da terceira guerra mundial ela é suficientemente vaga para com um ou outro retoque servir para qualquer assunto.
Quem quer tomat uma posição apresenta-se

Finalmente.
A ser verdade o que diz o delator acho que o professor-burocrata se excedeu.
A ser verdade a sua verdade mais valia estar a trabalhar.
Se é com este ruído de fundo que pensam incomodar um fulano como Sócrates estão bem enganados.
Só serve para desviar as atenções e dar mais um fôlego a quem parece já ter tantos.

24 May 2007

Jornalismo a branco e tinto


Hoje estava particularmente triste.
Faz-me falta a crítica estimulante daquele nosso colega com um nick estranho.
Claro que há os anónimos, que também dizem nada, mas não dá a mesma pica.
E por isso estava sem assunto.
E então abri os jornais.
E li uma consideração filosófica do senhor Doutor Alcides Vieira, um dos maiores directores de televisão vivos.
Diz ele “
o dever do jornalista às oito da noite é o de informar sobre o que aconteceu nesse dia, mesmo que não se passe nada"
Ora com tão sábio conselho pensei logo em escrever uma crónica em branco, assim como o Branca de Neve do César Monteiro.
Mas quando já tinha pronto o branco apontamento cometi o erro de abrir um jornal de referência.

E lá a senhora Doutora Constança Cunha e Sá, a maior cronista viva, quando está normal, lastima que se esteja a castigar uma pessoa que “se limitou a dizer umas graças sobre a licenciatura do primeiro-ministro ou (consoante as versões) se atreveu a fazer umas considerações desagradáveis sobre a personalidade da sua mãe.”
Ora se bem me parece a Cunha e Sá acha que o insulto quando mascarado de graçola ou a graçola disfarçada de considerações são normais.
São o preço da fama, um azar a que alguns têm direito.

Pois bem toda a gente sabe que a referida senhora quando deixa de ser doutora tem uma queda tremenda para a bebida fina e a queda é tão grande que por vezes termina no chão.
E lá teve que se casar pela segunda vez com o mesmo marido que já sabia de cor onde estava o Gurosan.

Se isto não é verdade, ela que o leva à conta de uma consideração uma vez que aqui não havia necessidade de a fazer sobre a personalidade da mãe.
A própria serve.

22 May 2007

De longe vê-se desfocado


Meus queridos e infelizes colegas de vida em Lisboa.
Vai começar o Grande Fandango.
Marcadas que estão as eleições para Lisboa, vão começar as campanhas eleitorais.
Vai haver para todos os gostos e cores e isto não é piada ao senhor ministro de Estado que se dignou abrilhantar as mesmas.
A propósito sabiam que já há vinte anos uma Maya do Expresso que dá pelo nome de Teresa de Sousa tinha descoberto que “este miúdo vai ser o futuro líder do PS porque é inteligente, culto e pensa pela sua cabeça, é líder da JS e filho de Maria Antónia Palla” e isto é nos ensinado pelo senhor director do Sol que gosta imenso de contar conversas privadas.

Adiante.
Hoje um dos maiores lisboetas que sempre viveu e vive em Coimbra, o pai da maior (em volume) constituição de todo o Mundo, o Professor Universitário Doutor Vital Moreira, ex-comunista que se renovou no partido do governo vem dizer-nos porque é que estamos mal e espera que outro dê soluções.
Para o distinto escritor o parque automóvel (aumentado com a localização das empresas de leasing) representa uma fonte de receitas mas paralelamente há cada vez mais automóveis estacionados irregularmente, em passeios e praças. O trânsito atravanca e paralisa a circulação em cada vez mais artérias e durante cada vez mais tempo. Dificilmente se circula numa rua sem encontrar carros parados em segunda fila, a atrapalhar o trânsito. A proibição de ocupação das paragens dos transportes colectivos é infringida com notável irresponsabilidade cívica e depois descobre
que as entradas na cidade estão cada vez mais congestionadas.

Pois é de Coimbra deve ser difícil ver que o problema do trânsito em Lisboa não tem nada a ver com os lisboetas mas sim com as dezenas de milhar que vêm todos os dias trabalhar aqui e que contrariamente ao que pensa já não há praticamente um lugar onde se possa estacionar sem pagar.
De Coimbra pede-se que se ponha uma portagem nas entradas.
Concordo mas com uma fase de testes em que a mesma só se aplicaria a políticos.
Que venham a pé. É saudável.
O que de Coimbra se vê muito bem é que Lisboa precisa da Ota e vai já avisando a quem quiser atacar o senhor ministro por, obviamente não poder defender uma coisa agora e o seu contrário de imediato que provavelmente, esse vai ser mesmo um dos pontos fortes da campanha, como manobra de diversão populista.

Os amigos são para as ocasiões.
Pena não votar aqui.

17 May 2007

Põe a cruzinha num lado qualquer


To some extent, if you’ve seen one city slum you’ve seen them all.
Spiro T. Agnew



Meus caros compatriotas tenho muito boas notícias para vos dar.
Começou o circo e vamos ter espectáculo até aos princípios de Julho.

Não, não é o folhetim da pequenita inglesa, esse está quase a acabar e agora só aparecem actores de segunda linha para grande desespero dos papagaios das televisões que já não sabem como encher chouriço.
Hoje um especialista ensinou que o assassino deixa sempre vestígios no local do crime e leva sempre com ele indícios do mesmo.
É isto que eu chamo serviço público.

O espectáculo que tem tudo para ser um grande show, cheio de efeitos especiais é a eleição para presidente da Câmara de Lisboa.
Antes de dar a minha opinião e o sábio conselho em quem devem votar vou contar uma pequena história.

Quando cheguei a Portugal graças à expedita descolonização exemplar, o grande assunto que ocupava os jornais era a renovação do sistema viário da Praça de Espanha.
O problema é tão complexo que trinta e tal anos depois, mesmo com o labor de excelentes presidentes que já se sentaram no cadeirão, milhares de euros espatifados, está tudo na mesma.
Até a sumidade foi chamada a fazer um plano.
Deve estar lá numa gaveta aguardando o dia do juízo final.

Mais recentemente havia necessidade de espatifar mais uns milhares de euros e então contrataram-se especialistas para resolver o problema das cargas e descargas.
Foi lindo.
Era com telemóvel, tudo ao segundo, com uns lugares especiais pintados de fresco e horários europeus, alta tecnologia, até vinham lá de fora ver como era.
Não funcionou. Aliás, nem sequer chegou a ser ensaiado.

Anda-se muito depressa em Lisboa fora das horas de ponta?
Claro e isto tem que ser resolvido, uma vez que não se conseguem resolver os engarrafamentos que duram o dia inteiro.
Como há dinheiro em barda toca a gastar uns milhões de euros e plantar por toda a cidade lindos radares. Até parecia London.
Mas houve um problema. Não estavam aferidos. Não estavam registados. Os senhores automobilistas podiam ser multados em duplicado, uma vez que a PSP que não depende de ninguém, não queria saber daquilo para nada.
A trapalhada ainda lá está.
A trapalhona está de saída.

Portanto caros compatriotas a lição é bem clara.
Votem em quem votarem, não fará diferença nenhuma para a vossa qualidade de vida.
Vai continuar tudo igual, para pior.

16 May 2007

Que lindo par de patins


José Sócrates é vaidoso, temperamental, teimoso e com um ego que lhe faz julgar que é a encarnação portuguesa de um misto de Blair e Bill Clinton.
Tudo isto faz dele um homem extremamente perigoso.
Os inimigos já o sabem, os amigos (para o caso de os ter) vão sabendo a pouco e pouco.

A Câmara Municipal de Lisboa é ingovernável.
Tem uma dívida monstruosa.
Um número obsceno de funcionários a que se soma os contratados, os assessores, os eventuais sempre em eterna rodagem.
Acresce que uma obsoleta divisão municipal que remonta, digo eu, ao tempo do Senhor Dom José faz com que haja 53 freguesias num retalho que devido à contínua saída das pessoas para a periferia se traduz em algumas com pequenas centenas de habitantes.

Cada presidente de junta (que não manda nada) tem no entanto assento na Assembleia Municipal, um órgão colegial que apenas serve para empatar.
Devido à abstrusa lei eleitoral no momento actual vai ser dificílimo que das eleições saia uma câmara maioritária o que vai levar a distribuir mandatos pela oposição.

Uma nova reorganização das freguesias transformando esta manta de retalhos em três ou quatro e a mudança da lei eleitoral são tão necessárias como pão para a boca.
Mas não vai ser feito, nem agora nem nunca, pois isso eliminaria centenas de pequenas sinecuras e estes não estão pelos ajustes.

É neste quadro que António Costa que ia ter um protagonismo imenso agora que Portugal vai assumir a presidência da União Europeia, vai concorrer.
Pode ganhar, mas já perdeu.
Perdeu poder, perdeu influência, perdeu tempo de antena.
Quem vai ganhar, está à vista.

15 May 2007

A livre escolha


Sempre me fascinou a preocupação que os ateus têm em atacar aqueles que crêem.

É mais ou menos a mesma coisa que um fulano que não gosta de futebol, ficar todo irritado porque este ou aquele é sócio do Benfica e faz ponto de honra nisso.
Parece que se esquecem que ninguém é obrigado a ser cristão.

Cada vez que o Papa fala, e fala para aqueles que o querem ouvir, logo estas mesmas vozes aparecem a criticar o que foi dito e mais rápidas do que a própria sombra a dizerem o que devia ter sido dito.
Mas isto faz algum sentido?
Acaso se esperaria que num conclave de comunistas entrasse um fulo, sei lá? do CDS por exemplo e reclamasse que o orador devia deitar fora as folhinhas que tinha escritas e ler aquilo que ele achava que era a verdade?

Na recente peregrinação a Fátima, contam os jornais, estiveram para cima de meio milhão de crentes, número esse que ninguém em Portugal consegue juntar.
E não foram precisas camionetas fretadas pelas Câmaras como se vê a toda a hora nas manifs que as forças sindicais organizam.

Tenham paciência, deixem-nos em paz.
Respeitem a religião, como a religião vos respeita a vós.

11 May 2007

Momento Zen


Há uma confissão a fazer.
Nunca, ou quase nunca, tenho o som do PC ligado.
Quando estou navegando (navegar é preciso, diz o outro) estou sempre a ouvir um dos milhares de cd’s que andam por ali bem arrumadinhos.
Outro dia, por acaso, verifiquei que aqui (refere-se ao Braganza Mothers) alguém tinha andado a pôr uns bocadinhos de algumas das coisas que eu gosto.
E muito boas por sinal.

Peço licença para fazer uma pequena publicidade a estes dois senhores.
Pode e deve ouvir-se acompanhado de um bom vinho.
Tenho aqui um Quinta do Cachão 2003 Touriga Franca Douro mas vou pensar duas vezes.
Se calhar fica para a vitória da (escolha uma) na Câmara Municipal de Lisboa.

10 May 2007

ma cherie, je suis désolé


Provavelmente, mas em Portugal tudo é possível, ninguém terá a ousadia de afirmar que em França as eleições não foram livres e democráticas.
E houve um ganhador e claro, como em tudo na vida, alguém perdeu.
Prontos, já fiz o meu momento La Palisse.
Acontece que para mim é absolutamente igual ao litro que tenha ganho este ou aquele e por isso causa-me estranheza ver o povinho todo excitado com os resultados dos franceses.

Mas comecei a afinar quando as piadas sobre a altura do senhor que ganhou apareceram.
Fez-me lembrar as que se fazem por cá sobre um outro político.
A propósito, já repararam que a voz que faz aquele anúncio do Skip se parece estranhamente com a de Marques Mendes.

Ora este tipo de piadas chateia-me, porque eu também sou pequenitote.
Mas Deus, na sua sábia antevisão, deu a todos os minorcas qualquer coisa grande para compensar.
No meu caso a troca foi vantajosa e estou satisfeito.
Não se deitam a adivinhar que eu confirmo e não desminto.
Quanto ao francês veremos, mas parece ter começado bem e ainda não se sentou
.

7 May 2007

Allez les copains


É incrível.
Isto não pode continuar.

Sem respeito nenhum pelos senhores comentadores, pelo senhor Paulo Dentinho, pelos senhores analistas do Público, e até mesmo por pessoas ideologicamente puras deste blog, a França, bem melhor dizendo alguns franceses menos cultos e sem nenhuma solidariedade pelos mais desafortunados, pelos islamitas, pelos magrebinos, pela Turquia, pelo Alberto João Jardim (perdão esta era para o post seguinte) elegeram o fulano fascista.
E agora o que é que é preciso fazer?

Pois meus caros compatriotas, para a França e em força.
É necessário que a eleições na França, nos Estados Unidos e onde quer que se presuma que os indígenas não vão votar de acordo com as superiores análises do Senhor Doutor Miguel Portas, não possam estar reservadas a simples e pacóvios ignorantes desses países.

Cada português bacteriologicamente puro (pedir certificado ao senhor doutor Francisco Anacleto) deve ter direito a trinta e cinco mil votos e ainda a anular os votos de dez mil votantes da direita (pedir listagem ao operário Sousa).

Grande ideia, não é verdade?
Vive La France-Portugaise!

6 May 2007

Suicide-se sózinho


Vai uma azáfama tremenda na blogsfera sobre o magno problema nacional.
E esse é, o fumo. Do tabaco.
Ora parece que vai ser partejada uma lei que proíbe os fumadores de me atirarem para cima com o fumo dos seus cigarros ainda por cima misturado com qualquer bacilo que os mesmos já tenham no corpinho enquanto estou a almoçar.
Acho muito bem e acredito que tarde ou cedo podemos ser um pouco mais civilizados.

A defesa dos fumadores está muito bem entregue a dois fundamentalistas sendo que um é o Dr. Tavares e o outro é a sua cópia em vermelho.
Mas hoje um Investigador em biotecnologia o senhor doutor João Miranda vem também defender o mesmo e puxa como argumento que “De acordo com o liberalismo clássico, cada indivíduo tem direito a uma esfera de liberdade inviolável dentro da qual é soberano”.
E continua explicando que “
Uma pessoa que constrói ou que adquire um restaurante tem o direito de fazer o que quiser com aquilo que é seu.”.

Seria engraçado que ele fosse a esse restaurante e ao pedir a conta o dono lhe adicionasse uma gorjeta obrigatória e se recusasse a passar uma factura só porque lhe apetecia usar a lei de “aqui mando eu”.

O investigador conclui que “Esta decisão não interfere com o direito que cada um ao ar puro porque ninguém é forçado a frequentar um determinado restaurante.” o que no limite, se em todos se fumar, eu tenho que deixar de ir a restaurantes.

Ou seja e esfera do senhor doutor é do tamanho do mundo e do seu egoísmo.

4 May 2007

Immelman Trick


O esforço de apanhar um objecto frágil em queda livre produzirá mais destruição do que se se permitisse ao objecto cair a direito, como inicialmente.
Fulton


Carmona Rodrigues conseguiu num instante reduzir a frangalhos a pouca credibilidade que lhe restava.
É bem verdade que se sujeitou a todos os enxovalhos para poder ser presidente de Câmara, mas nesta hora de verdade a patética comparação com o comandante de um navio, a meter água por todos os lados, mostrou-lhe claramente que os imediatos mais não eram que funcionários partidários, desejosos de salvar os cargos, estes ou outros que o partido lhes venha a arranjar.
E assim, como um César de quinta categoria, lá foi apunhalado pelas costas, de frente de lado.
Ainda estava de joelhos a caminho do chão e já os vultos começavam a aparecer vindos de todos os lados do cenário.
Por agora vamos só falar de um.
E que um!

João Soares foi presidente desta desgraçada cidade.
O seu tempo foi notado pela rapidez com que ignorava os concursos públicos para fazer obra mais depressa e mais cara (por acaso lembra-me agora que isto é uma coisa que se diz que o soba da Madeira faz).
Criou imensos lugares de colaboradores.
Deu um prédio ao Pai. Um filho agradecido, uma coisa bonita.
Mas desde que foi derrotado por Santana Lopes (a Zézinha diria que este, como um rato Mickey era difícil de vencer) nunca mais foi o mesmo.
Triste sem nada saber fazer na vida, lá se acantonou numa fila qualquer da Assembleia da República onde ninguém dá por ele, nem ele quer que se saiba que anda por ali.
Concorreu a Sintra, perdeu também.
Agora só lhe falta pôr um anúncio no jornal a dizer que está muito disponível.

Deve ser mesmo bom ser presidente da Câmara de Lisboa.
Que mel e ambrósia haverá por lá?