4 Feb 2015

Para Lenor

Estreia brevemente.
Julianne Moore está nomeada para Oscar de melhor interpretação feminina.
É realmente aterradora a interpretação de uma mulher, especialista em linguagem, que do nada lhe aparece a sinistra doença de Alzheimer e que vemos desintegrar-se dia após dia.
Uma particular cena, quando necessita de ir à casa de banho urinar e não consegue lembrar-se onde era ocasionando que o marido a encontra toda urinada é particularmente tocante.
Como tudo o que é mau pode piorar, a doença é congénita e uma das filhas dá testes positivos.
Como se diz no título este post é dedicado a uma particular amiga por dois motivos.
O primeiro é por ser médica e ela saberá por experiência directa o que é lidar com estes doentes.
O segundo é privado e ela se vir o filme compreenderá imediatamente.
 
O boneco também é da Lenor e ilustra muito bem a vida destes doentes e provavelmente de muitos sãos.
O filme termina com um fabuloso monólogo tirado de "Angels in America" e vai aqui com transcrição.


http://www.youtube.com/watch?v=Og70dU7TP-Y

"Night flight to San Francisco. Chase the moon across America. God! It’s been years since I was on a plane. When we hit 35,000 feet we’ll have reached the tropopause, the great belt of calm air. As close as I’ll ever get to the ozone. I dreamed we were there. The plane leapt the tropopause, the safe air and attained the outer rim, the ozone which was ragged and torn, patches of it threadbare as old cheesecloth and that was frightening. But I saw something only I could see because of my astonishing ability to see such things. Souls were rising, from the earth far below, souls of the dead of people who’d perished from famine, from war, from the plague and they floated up like skydivers in reverse, limbs all akimbo, wheeling and spinning. And the souls of these departed joined hands, clasped ankles and formed a web, a great net of souls. And the souls were three atom oxygen molecules of the stuff of ozone and the outer rim absorbed them and was repaired. Nothing’s lost forever. In this world, there is a kind of painful progress. Longing for what we’ve left behind and dreaming ahead. At least I think that’s so."




2 comments:

lenor said...

Agora tenho que ver o filme porque quero mesmo saber o segundo motivo!
Viver sem pensar como era dantes, antes de ficarmos doentes. A cada dia levantar, andar pela casa ou passear, à noite dormir. Senão morremos de tanto chorar.
Beijo.

F.A. said...

Obrigado.
Estreia hoje, há mais dois episódios que te quero contar.
A dado momento ela diz "quem me dera ter tido um cancro, ao menos têm pena de nós" e quando ainda tinha 90% das suas capacidades grava um vídeo que armazena no computador para ver quando tal fosse necessário.
É lancinante ver ela a ver e ouvir-se e a voltar repetidamente atrás porque já não consegue memorizar tudo o que "a outra" lhe vai dizendo.
Leva lenços de papel.
Beijo grande.