31 Aug 2007

Só vêm em frente


Há dois assuntos que mesmo os melhores intelectuais quando os analisam, perdem a cachimónia.
Um é o futebol e o outro é a religião.
O motivo é muito simples, as pessoas não conseguem usar só a cabeça põem um bocadinho de coração, depois metem muita emoção e sai uma grande confusão.
Vasco Pulido Valente escreve na sua crónica de hoje:

o problema é agora a "internacionalização" de Fátima e essa "internacionalização" requer um aeroporto. O Vaticano fundou uma companhia low cost para o "turismo religioso", inaugurada esta semana com um voo Roma-Lourdes. Se o Estado português não intervier (pagando um aeroporto, evidentemente), Fátima está em risco de se tornar um "destino" secundário e de perder 150.000 peregrinos por ano. Resta saber se o Estado vai ou não subsidiar a Igreja. Com o nosso dinheiro.

È difícil escrever tanta asneira junta.
Para começar Fátima já é servida por um aeroporto conforme mais do que um papa já confirmou.
É o aeroporto de Monte Real que por agora serve para que alguns aviões da Força Aérea por lá passem a fingir que estamos a ser atacados pelos espanhóis.
Se ele fosse convenientemente apetrechado e entregue à aviação civil, o que é manifestamente impossível porque cérebros como o Senhor Valente existem em todas as repartições do Estado, toda uma grande região ficava melhor e o "turismo religioso" só tinha a lucrar.

E por falar em turismo.
Aqueles cento e cinquenta mil peregrinos existem só na imaginação do cronista, que como sabemos há longos anos não sai de casa.
Se ele pelos menos ligasse a televisão verificaria que só em duas das maiores romarias de Fátima se contabiliza qualquer coisa como um milhão de peregrinos.
É fácil fazer as contas.

E lá vem o estafado argumento jacobino.
O Estado a subsidiar a Igreja.
Aqui, por uma ironia, é exactamente o contrário.
É a Igreja através de Fátima que arrasta toda aquela gente, todos aqueles turistas, todo aquele dinheiro que depois é gasto e reverte através do uma multiplicidade de impostos para o mesmo Estado, e sei lá, até para pagar uma hipotética reforma do Senhor Valente.
O turismo religioso ou não é uma das grandes fontes de riqueza de um país.

Tomara a Igreja ser autorizada a construir um aeroporto e a explorá-lo.
Já lá estava, tenho a certeza.

Não rezaram ao Orixá


Incrível, enquanto foi brasileiro correu tudo às mil maravilhas.
Naturalizou-se, passou a brasileiro-luso e já se aleijou .
Eu, se fosse ao Helton, Liedson e Derlei (que o senhor treinador já tem debaixo de olho) nem queria ouvir falar na selecção daquele país pequenino ao pé do Atlântico.

30 Aug 2007

29 Aug 2007

Gracias




Obrigado, muito obrigado!

Pioneiros no Mundo


O Centro de Saúde de Viana do Castelo vai começar a fazer abortos químicos (com comprimidos) até 15 de Setembro e até ao final do mês avançará outro centro de saúde nortenho, informou o vice-presidente da Administração Regional do Norte, Fernando Araújo. Uma prática que o bastonário da Ordem dos Médicos critica e o presidente da especialidade de obstetrícia da mesma Ordem apoia.
Dos Jornais


Concordo plenamente com o senhor que é presidente dos Obstetras.
O aborto, uma achega para dizer que não percebo porque é que se deixou de falar no termo correcto que como sabemos é IVG, deve ser encarado como um bem social.
E se se pode fazer com comprimidos pois então em vez de o comprimir aos muros de um hospital toca a expandi-lo.
Eu acho que para diminuir o número de crianças temos que ser eficientes, modernos e com um olho no futuro.
Portanto.
Deve a futura ex-grávida ir à Loja do Cidadão, se não houver na terreola pode servir a Junta de Freguesia, onde lhe é passado um papel a atestar que se distraiu.
Com o mesmo vai a uma farmácia (num futuro disponibilizaremos o comprimido no super mercado) onde lhe será fornecido o mesmo.
Toma-o.
Telefona ao marido, namorado, conhecido da altura e dirá.
Játá.

Leia discretamente



Quer saber como actuar num mictório público para sendo homem por fora engatar outro e se a coisa der para o torto aprender a dizer sem corar que não é gay?
Quer mesmo?
Não acha melhor experimentar nem que seja por uma vez com um belo exemplar feminino que lhe vai proporcionar mil carinhos?
Bom, se é mesmo teimoso e de mau gosto vá aqui .

28 Aug 2007

Há coisas fantásticas ...


...não há?

Segue para Oscar


Depois da medalha de ouro daquele nosso compatriota nascido na Costa do Marfim que se junta na glória aquele simpático nigeriano que treina em Madrid para correr cada vez mais e mais depressa, e por falar em Madrid esperemos que os nossos mais ilustres trabalhadores naquela nação, os fabulosos compatriotas Deco e Pepe continuem de boa saúde que muita falta fazem, e por falar em ex-brasileiros para quando a nacionalização de Liedson e Derlei que ainda fazem mais falta, temos finalmente um luso autêntico, de gema a caminho do estrelato.

É António-Pedro Vasconcelos. Sim o nome é mesmo assim, com tracinho.

Está a realizar o maior filme que Portugal, e a seguir o Mundo, vão desfrutar.
Os actores são simplesmente a nata de Portugal.
No papel da femme fatale está a esplendorosa Soraia Chaves e ponto final, não é preciso dizer mais nada.
Como maquiavélico manobrador (palavras do senhor realizador) está Joaquim de Almeida. Alguém se lembra de ele ter feito um papel em que não faça isto mesmo?
Não! Pois não.

A cena passa-se no Mandarim que é o restaurante chinês mais caro de Portugal (lá se vai um bocadinho do subsídio) e com toda a razão. Num filme português não pode faltar um restaurante chinês.

Vamos então ler parte do guião.

A cena é entre a prostituta fina e o autarca (qualquer semelhança com factos reais é propositada).
Ela fala e acaricia o braço do desgraçado (papel entregue a Nico) conforme instruções do Mestre.
Assim:
Quero ver a tua mão desaparecer debaixo da mesa e deixar o espectador imaginar o resto.
O autarca apoia e complementa:
No momento em que a tua mão descer, eu olho para baixo, engulo em seco e interrompo a pergunta que te ia fazer.

Lindo, embora difícil de se ver na papada autárquica aquele engolir em seco.
Talvez com um close-up muito, muito perto.

Se isto não é cinema, então é o quê?

27 Aug 2007

Pitinho Jardim


Ia almoçar e não tinha nada para ler e então comprei o Correio da Manhã para servir de amouse bouche.
Foi uma péssima ideia.
Só traz crimes, atentados, desgraças, golos dos outros clubes.
Quase que me ia estragando o robalo grelhado.
De entre todas, destacou-se uma, pelo que representa de drama pessoal.

Pimpinha Jardim tem novo namorado. Sim eu sei, que isso não é novidade nenhuma e que a mesma aprendeu com a idiota da Elsa Raposo a não fazer tatuagem nenhuma, pois há um limite de nomes que cabem num corpo, nem todas as zonas podem ser tatuadas, pois embora neste género de pessoas todo o corpo seja visível, ninguém ia pôr um nome na cara, afastava o futuro.

Portanto Pimpinha está apaixonada, enfim gosta de, e ele gosta dela.
E aqui começa o drama, a telenovela, o horror.
A família dele não aprova.
O moço é um Spínola e já não é preciso dizer mais nada.
Mas eu digo, pelo-me por estas alcovitices.
Os pais ficaram possessos quando o filho foi desfilar e já tinham ficado altamente possidónios quando souberam pelos jornais cor-de-rosa que a esperança da família andava sempre em festas com Ela.
A família teme que ele perca a cabeça com tanta exposição mediática.

Mas enfim a isto até se podia dar um jeito, mas o verdadeiro problema para o clã Spínola e a moça não ter emprego.
Discordo.
Tem e até é muito antigo.

The portuguese Josef

( Clique para aumentar)

As recentes eleições para a Câmara de Lisboa foram uma revolução.
Finalmente a esquerda, a verdadeira, a das bandeiras vermelhas, chegou ao poder.
Josef Sá Fernandes é agora o rosto destes novos poderes abençoado pelo pregador Louçã.
Para começar, porque só tem prática de providências cautelares, e à cautela, deram-lhe o cargo de Jardineiro-Mor do Reyno.
Como a populaça, a crer na pinchagem, não deposita muita fé nas suas acções ele, nos entretantos, propõe algo de radical.
Nada mais do que criar uma marca de vinho e de azeite da capital, bem como comercializar as amêijoas e as corvinas do Tejo.

Apetece-me dizer:
Canoa, por onde vais?

26 Aug 2007

Sempre aos domingos









Fui ver o Terreiro do Paço sem carros.
Verdadeiro espectáculo.
Numa das arcadas uma renhida partida de dominó e outra de matraquilhos.
A presença da GNR foi um êxito.
Com uma carroça, três pilecas e mais uma carrinha armada com uma metralhadora (que fazia as delicias dos petizes) tornou-se no maior pólo de interesse com bichas filas de espera.
Tinha também dois antigos autocarros da Carris pintado naquele nostálgico verde que uma antiga geração tão bem conheceu.
Havia também umas barraquitas de comes e bebes com uma frequência regular.
A praça continuava preparada para aterrarem dois ou três helis.
Já as ruas que vão dar à praça estavam quase iguais.
A Augusta atulhada de movimento e vendedores ambulantes.
As outras atulhadas de carros.
António Costa deve ter conquistado hoje uma grande parte daqueles que se abstiveram nas eleições.


25 Aug 2007

Acompanha bem um domingo


À venda na FNAC por quatro euros e noventa e cinco cêntimos.

Quase o preço de um maço de cigarros, e enquanto este fumado desaparece (excepto a parte que fica nos pulmões) este maravilhoso filme pode ser visto e revisto vezes sem conta, sem qualquer dano para a saúde.

O médico que há em mim avisa:
Ver cinema faz mal ao colesterol.

Homenagem


Eduardo Prado Coelho partiu.
É uma perda para a cultura portuguesa.
Muitas vezes criticado por mim pelas suas posições e acima de tudo pela ignorância que fazia gala em mostrar pela blogsfera e por tudo o que a mesma representa em termos de liberdade de opinião e modernidade, não deixava de ser uma luz na pequenez do ambiente literário e da cultura em Portugal.
Tinha ainda muito para dar.
Não foi possível.
Os meus respeitosos cumprimentos à família e a todos os seus amigos.

Trogloditas



(Clique nas fotos para aumentar)


A Administração do Porto de Lisboa, o Governo e a Agência Europeia de Segurança Marítima, uniram-se e entre centenas de hectares livres na cidade de Lisboa ocuparam uma fatia extraordinária junto ao Cais do Sodré onde estão a construir três matacões, roubando um terreno livre e as vistas para o mar, tudo com o silêncio cúmplice da Câmara Municipal de Lisboa.

Pergunto:
Não podem ser exterminados?

É o mercadu


A máxima da avó Judite, segundo a respectiva neta e minha insigne esposa:«Vale mais ter um filho ladrão que um filho maricas."

Continue a ler o resto aqui (atenção contêm palavras e pensamentos verdadeiros) se estiver disposto(a) a perder ideias que lhe têm sido enfiadas na cabecinha pelo politicamente correcto.

24 Aug 2007

S In Love


A Doutora Fernanda Câncio anda enervadíssima.
É periódico.
Há uns tempos atrás enervou-se por causa da wikipédia e de umas entradas que lá tinham sido postas debaixo do seu glorioso nome.
Sinceramente não percebo o problema, pois cá eu pensava que era o sonho de todas as raparigas e rapazes terem o seu nome proclamado urbi et orbi.
Claro que não se pode esquecer que essa crónica era motivada pelos problemas que estavam a ser criados ao namorado.
E se pensarmos bem, como segunda dama do nosso primeiro, é natural que se doa.

E agora doeu-se outra vez.
Palpita-me que foi pela capa que uma revista lhe fez onde se destaca a notícia que o jovem casal passou férias juntos.
E daí a comparar-se com a Diana foi um passinho.
É claro que uma doutora não ia fazer assim uma comparação tão óbvia.
Não, vai por passinhos.
Primeiro faz uma ligação ao caso da pequenita desaparecida no Allgarve e depois conclui:

Dez anos depois, aquilo que nos parecia, de Portugal, uma realidade distante e estrangeira - a proliferação do cor-de-rosa, a tabloidização de toda a informação - chegou em todo o seu esplendor.

Ora cá está!

23 Aug 2007

Sógame


Viaduto do Calhariz de Benfica

José Luís Arnaut e José Luís Vieira de Castro têm de comum o nome próprio.
São também altos quadros do PSD.
Num dia qualquer de um ano qualquer o segundo pediu a uma empresa que constrói que desconstruísse uma factura de outra empresa no valor de 233.415 euros pagando-a.
Esta assim fez.
Entretanto o mesmo segundo foi ocupar um cargo no Governo e por magia a empresa de construção conseguiu resolver um problema que tinha e que era como já se está a ver, não construir onde queria.
E onde é que entre o primeiro, perguntarão?
Pois, o problema, é que não entra.
É assim:

''Esclareço que, à época, não tive conhecimento, nem acompanhei pessoalmente, os termos concretos em que o apoio da Somague foi, na situação em análise, concedido''

Diz ele.
E nós dizemos, parodiando.

A trafulhice é uma coisa extraordinariamente horrível, não é?
É
Mas é proibido?
É
Portanto devia ser proibido não é?
Exacto.
Mas eu poderia fazê-lo?
Podia.
E o que é que me acontecia?
Nada!


(cortesia Gato Fedorento)

22 Aug 2007

O cântaro e as fontes


A ceifa de um campo de milho transgénico no Allgarve por um grupo de ecologistas entusiasmados tem levado a dois tipos de críticas.
Uma crítica os ambientalistas por terem feito a ceifa sem o acordo do dono da plantação.
Outra critica a GNR por não ter impedido o acto usando a força se tal fosse necessário.
É esta que me interessa.

Toda a gente gosta de falar mal da pena de morte excepto se lhe matarem um familiar.
Toda a gente dos gosta de ciganos e afins se não os tiver à porta.
O mesmo para lixeiras incineradoras e tudo aquilo que é necessário para fazer desaparecer o lixo de todos nós.
Em resumo quando não toca a nós, tudo bem.

E por isto ser verdade a GNR e todas as forças policiais têm sido desautorizadas pelo poder político em favor de qualquer bandalho, jovens como se costuma dizer, que ataque a propriedade.
Até o famoso MST estava frontalmente contra o uso da força por segundo as suas pitorescas palavras “não ser necessário para defender umas maçarocas de milho”, por não serem dele, digo eu
.
Cada vez que um GNR dá uma lambada, arreia uma coronhada ou dá um tiro num delinquente, já sabe que tem os jornalistas à perna e que de seguida levantam-lhe um processo.

Então com as televisões a filmar tudo, queriam o quê?
Só melhora quando for um político a vítima.

21 Aug 2007

Bem prega Frei Tomás


Miguel Sousa Tavares (MST) é o Ai Jesus das mulheres portuguesas.
Oficia numa estação de televisão muito perto de si e escreve em dois jornais.
Tem opiniões definitivas sobre tudo e sobre todos.
É o único escritor vivo que se auto-plagia.
Tem uma meia dúzia de ódios de estimação que mete alternadamente em todos os artigos, pois a ordem dos factores é arbitrária.
São eles, o tabaco, a caça, o Algarve, os construtores civis, as Câmaras, Alberto João Jardim e os impostos.
Embora fale sempre mal dos políticos nunca aceitou um cargo público.
Embora fale mal dos que criam riqueza nunca teve uma empresa, nunca criou um posto de trabalho, na verdade nunca trabalhou.
Mentira, dirigiu A Grande Reportagem que faliu.

Mas MST é um homem rico, aliás já o era antes de nascer pois a sua família pertencia à alta burguesia portuense.
E como pessoa rica que é resolveu empregar as poupanças onde muito bem entendeu e entre outras aplicações comprou cinquenta e tal mil euros de acções .
Fez muito bem, acredita no mercado e valoriza as suas poupanças.

Neste fim-de-semana resolveu escrever sobre os ricos, os outros.
E que diz ele?

… faz impressão pensar que, enquanto os trabalhadores por conta de outrem e a generalidade da classe média e média-baixa viu os seus rendimentos subir entre zero e três por cento no ano passado, os cem mais ricos aumentaram a sua riqueza em 36%. E fizeram-no essencialmente através da bolsa - ou seja, não pelo desempenho das suas empresas, não pela criação de riqueza para o país, mas sim através da simples especulação com o dinheiro.

É impressionante como uma pessoa que devia perceber um bocadinho de Bolsa, afinal investe lá uma parte significativa das suas economias, não consegue compreender dois ou três conceitos básicos.
Então a Galp ou a Sonae por exemplo valorizam-se em bolsa e ele acha que isto é especulação e não uma valorização real das empresas.
Ora se as empresas se valorizam assim valorizando o capital dos pequenos accionistas será lógico que os maiores accionistas vejam o seu património aumentar na mesma proporção.
Será isto crime?
Então se é porque é que MST não vem lamentar as perdas que também aconteceram e que num dia penalizaram Américo Amorim, entre outros, em centenas de milhões de euros?
Uma bolsa saudável e dinâmica é o que de melhor pode acontecer a uma economia e claro que é saudável que todas as maiores empresas lá estejam cotadas, até porque é muito mais fácil a sua auditoria.
Será que MST não sabe isto.

Já me esquecia, ele também gosta imenso de falar mal dos lucros dos Bancos.
O que eu quero, é que o Banco do qual tenho acções, nunca o nomeie para nenhum cargo executivo.
Não gosto de perder.

O Captain, my Captain

Peter Weir um genial aussie faz hoje 63 anos.
Sobre este deslumbrante filme não vale a pena falar, quem por aqui passa já o viu uma, duas, dez vezes.
Vale a pena no entanto lembrar que tem, para mim, um dos finais mais comoventes que me lembra.
Outros filmes fez que estão entre os melhores dos melhores.
Vi todos os seus filmes de 1982 até aos nossos dias, são todos bons muito bons.

Parabéns!

19 Aug 2007

Parabéns !!!!


O português Pedro Lamy e o francês Stéphane Sarrazin levaram hoje o seu Peugeot 908 HDi à vitória nos 1.000 quilómetros de Spa-Francorchamps, Bélgica, alcançando o terceiro triunfo em quatro provas do campeonato de automobilismo Le Mans Séries.
dos Jornais

Esta é uma das mais belas pistas de corridas de todo o Mundo.
É, também, uma das mais dificeis.
Já lá estive e aqui no TOCA Race Driver 3 faço-a diáriamente.
Com menos êxito.

Mexilhão


Uma greve, supostamente, é feita para causar grandes embaraços à entidade patronal, levando-a a aceitar as reivindicações dos grevistas.
As greves são sempre feitas ou para melhorar o ordenado, ou para diminuir o tempo de trabalho, ou para gozar mais folgas, ou para ter melhores condições de trabalho.

Não há memória de uma greve em que os grevistas, por exemplo os funcionários da Carris, digam estamos em greve porque os nossos utentes são mal servidos e queremos que eles se sintam melhores.
Ou então, por exemplo os funcionários dos Museus que tradicionalmente fazem greve quando há mais turistas, dizerem, estamos em greve e não cobramos bilhetes, entrem.
Não isto não existe, não foi assim que as classes trabalhadoras foram ensinadas a lutar contra o patronato.

Por isso não admira nada o ar de contentinho do delegado sindical das malas de porão quando vem comunicar que já estão a conseguir criar o caos nos aeroportos e que é provável que milhares de passageiros não recebam as bagagens ou que os seus desejos de viagem fiquem adiados para outro dia.
O que é que isto incomodou os manda-chuva lá das empresas em causa?
Aguenta povinho!

Marx para criancinhas


Maria de Medeiros é uma grande actriz, já participou em inúmeros filmes dos quais a maioria só é vistos em cineclubes. Vive em França há longos e longos anos mas continua a ter passaporte português e isso permitiu-lhe receber um belo subsídio para filmar a revolução o que ela fez com empenho.
Não vi o filme mas acho que deve estar ao mesmo nível de todas as películas portuguesas, excepto as do Manoel e aquelas que mostram a Soraia Chaves com bocadinhos daquele corpinho tão bem esculpido por Deus, à mostra.
Claro que gosto mais destes últimos, dos quais não vi nenhum, como aliás os do Manoel.
Chegou agora o seu momento de glória.
Foi entrevistada pelo Sol.

Diz a realizadora:

A Direita acredita em cada um por si, em motores isolados, e a Esquerda tem noção que só existe progresso se ele for colectivo. Não creio, por exemplo, que a livre concorrência no ensino traga maior igualdade.

É isso, a apropriação colectiva dos meios de produção como ensinavam as cartilhas vermelhas, mas felizmente o Pai que é muito mais inteligente, (é por isso que é do Benfica), não foi em cantigas e pô-la a estudar num belo colégio privado traumatizando a criança para toda a vida.

E continua a actriz:

Essa é uma expressão de Filipe Lá Féria (sobre subsidio dependentes N.A.) que acho muito infeliz. Por outro lado, não podemos comparar teatros com hospitais. Não se dá aos teatros para tirar aos hospitais e não se tira aos hospitais para dar aos teatros.

Não percebo nada. Se o bolo é comum e vem dos nossos bolsos, se não se tira de um lado para pôr noutro, como é que se faz?
Um dia, Maria do Céu Guerra foi a uma recepção colectiva que Salazar dava a uma montanha de criadores e então ela encheu-se de coragem e pediu um subsidiozinho para “aqueles que fazem rir”.
Respondeu-lhe o Botas.

-Ó minha senhora eu não tenho dinheiro para os que choram, quanto mais para os que riem!

Potius mori quam foedari


Por uma coincidência, após os meus post sobre os homossexuais e lésbicas outros sites com muito mais visibilidade e maior qualidade escreveram sobre o mesmo assunto.
Embora seja uma coincidência há uma razão para ela ter acontecido.
E ela, a razão, é muito simples. Tem a ver com a crescente arrogância que estas orientações sexuais mostram. De proscritos passaram a iguais e num instantinho vão apregoar a sua superioridade estética e sexual sobre os outros infelizes que apenas seguem as normas da natureza.

E a campanha é lançada regularmente nos meios de comunicação social onde dispõem de uma base de apoio formidável.
Está na moda, dá bons títulos.
Hoje no Diário de Notícias cabe a vez a Maria João Caetano e Paulo Spranger de oficiarem.
O começo é épico.

Não podem casar. Não podem recorrer à inseminação artificial ou à adopção, enquanto casal. Se forem homens, não podem dar sangue. Não podem namorar na rua, ou melhor, podem, desde que estejam dispostos a aguentar as bocas, os olhares e as risadas.

Estes jornalistas, uma vez que trabalham aos pares, bem podiam ler em voz alta o rascunho um ao outro, para evitarem dizer baboseiras.
Não é por serem homens e larilas que não podem dar sangue. Eu próprio quando para ajudar pessoa amiga fui dar sangue, perguntaram-me “teve mais que uma parceira nos últimos seis meses?”, respondi que sim e mandaram-me embora. Dar sangue é dar vida e eu podia (felizmente não) dar morte. Parece simples mas estes jornalistas são uns trapalhões.
É claro que não podem casar. Mas querem casar para quê? E querem os filhos dos outros para quê?
O direito a heranças e outras coisas materiais pode e deve ser contemplado num qualquer Decreto-Lei.

Vamos agora dar a palavra a um:

"Este é o país onde o insulto máximo tem a ver com homossexualidade", recorda Paulo Côrte-Real, da Ilga. "A discriminação existe desde logo na lei, é uma discriminação 24 horas por dia", acusa. É o próprio Estado, que deveria dar o exemplo, o primeiro a olhar o homossexual como uma pessoa diferente. Depois vem tudo o resto: a família, os vizinhos, o emprego. "Um homossexual não pode ter a fotografia da família na secretária nem contar no trabalho o que fez no fim-de-semana." Antecipando as reacções negativas e as penalizações, opta, quase sempre, por não se revelar. Fica dentro do armário.

Ora o senhor Paulo(a) devia perguntar-se porque é que isto é assim.
Eu explico-lhe.
Enquanto a Terra for redonda e girar à volta do Sol há-de haver sempre uma divisão. Ela é entre normal e anormal e por muito que se queira inverter (olha lá escrevi a palavra sem querer) a situação o que não é normal vai continuar a ser olhado com desconfiança.
E quanto a isto, bem podem vir comboios de tratados científicos que a povinho há-de continuar a acreditar no mesmo. É um vício.
Mesmo assim a boa nova vem tarde mas vem.
Conforme diz um senhor psicólogo:

Quando a auto-revelação da homossexualidade acontece na idade adulta, os sentimentos referidos são mais positivos: alegria, alívio, curiosidade, entusiasmo.

Portanto o que é preciso é esperar e não ser como aquela senhora lésbica que começou aos cinco anos.

Não posso terminar sem deixar de lembrar uma intervenção (arrancada a ferros) em que uma senhora lésbica me garantiu que aprovava que um miúdo de onze anos tivesse uma relação homossexual com um adulto.
Para aprender de pequenino, como o pepino, presumo.

Daniel Oliveira na homília que aos sábados faz no Expresso, usa a mesma fonte que eu usei sobre o caso do futebolista brasileiro e termina como devem terminar os sermões, com um aforismo que é um aviso a quem falar destas pessoas, sem ser em tom respeitoso.
Diz ele:

Espero apenas viver numa sociedade suficientemente civilizada para que a pressão social os mantenha envergonhados. E voluntariamente calados.

É para isso que existem estes textos que regularmente os jornalistas escrevem.
Eu espero continuar a pensar pela minha cabeça.

18 Aug 2007

PREC II



"É disto que os meus filhos e mulher vivem. É a única fonte de rendimento. Se ceifarem este milho, eu morro à fome. Alguém tem de pagar este prejuízo", disse o agricultor, garantindo que tudo está legal e que a propriedade foi vistoriada pelo Ministério da Agricultura.

Dos Jornais

Um bando de arruaceiros em férias, invadiu e destruiu um hectare de milho em Silves.
São todos vagamente de esquerda e nenhum passa fome.
Antigamente, sim no tempo da outra senhora, levavam umas bastonadas nos cornos, iam da cana e o bófia levava um boné na cabeça.
Agora foram todos em romaria para a aldeia mais próxima fazer uma campanha de sensibilização e beber umas bejecas.
Agora é que é bom.
Menos pró gajo do hectare.

17 Aug 2007

Cherchez le serviteur

Quatro coisas muito importantes aconteceram ontem em Portugal.

A Doutora Fernanda Câncio voltou das férias em Malta com a malta.
Foi noticiado que um nerd americano inventou a maneira de se saber qual o IP envolvido numa emenda, alteração, altercação, boato, inverdade, verdade a uma entrada de Wikipedia.
Veio a saber-se que a página referente ao nosso primeiro, foi maquilhada e a cosmética veio de um IP pertencente ao povo português i.e. ao Governo.
A referida senhora doutora veio informar que também alterou a página dela, (vejam bem já está o nível de um Grande Vulto), por a mesma conter “inverdades, calúnias ou intromissões na vida privada”, não sei porque é que não disse mentiras, mas enfim cada um usa as palavras que tem à mão. Só falta saber qual foi IP que serviu de borracha.
O União de Leiria num estádio com 1945 espectadores empatou a zeros com uma equipa israelita.

16 Aug 2007

Clique aqui


Segundo os jornais “uma família de quatro pessoas, pai, mãe e dois filhos, um deles com 10 anos e o outro com 16, anda em fuga há mais de uma semana com medo de serem mortos, na sequência de uma rixa ocorrida na semana passada, em pi! pi! pi! , provocada pela posse de um telemóvel.O casal e os dois filhos estão num local secreto e só falam com familiares e com as autoridades por telemóvel, à espera de uma protecção policial que só pode ser determinada pelo Ministério Público, na sequência da respectiva queixa. Os perseguidores, residentes também na zona de pi! pi! pi,! fazem parte de uma minoria étnica.”

Adoro estas notícias.
Na ânsia de nivelar todos por igual, os senhores censores modernos pintam tudo de branco, melhor dizendo de uma cor invisível.
Deixou de haver bandidos, passaram a jovens.
Os pretos passaram a africanos e depois a euro-africanos, afro-americanos ou outra tralhada qualquer.
Os gatunos até aos dezasseis anos passaram a crianças que vêm de meios socialmente desfavorecidos.
Uma manada de taralhoucos em frente ao tribunal passaram a ser populares a manifestarem-se.
E finalmente os ciganos passaram a minorias étnicas.

Mas porque é que não se podem chamar as coisas pelos seus nomes?
Porque é que temos de ser cínicos e fingir que gostaríamos de ter um cigano como vizinho de lado?

A propósito o que aqui se relata passa-se em Portugal.
Por pudor e para não envergonhar as forças de segurança da localidade fez-se como na televisão quando dizem um palavrão.

Por acaso bem que me apetecia dizer um, foda-se!

His latest flame


Elvis Presley partiu há trinta anos.
Para mim, e para muitos e muitos outros continua vivo nas suas canções.
Quando este filme estreou era eu muito novinho e por uma unha negra não tinha os dezoito anos necessários para passar a barreira do porteiro.
Com um bocado de sorte consegui fazê-lo e passei o filme todo encolhido na cadeira sempre à espera de ser deportado para a rua.
Onde quer que estejas, muito obrigado por tão fabulosos momentos.

15 Aug 2007

Assim não.


O jogo de ontem foi deprimente. O Benfica está simplesmente de rastos, como aliás os jogos de preparação mostraram.
Razão tinha o Joe quando queria comprar a preços de saldo uma equipa que está transformada num negócio.
Como é que se pode querer conquistar seja o que for quando na véspera do jogo mais importante da época se comunica ao treinador que não pode, nem nunca mais vai poder, contar com uma das pedras mais influentes.
E já agora porque é que estes dirigentes se esqueceram da maneira truculenta como este jogador de transferiu para fora do Benfica?
É com Fábio Coentrão, que no Canadá levou dois amarelos logo nos dois primeiros jogos e que ontem estava mais preocupado em cair quando sentia o bafo do adversário do que em jogar, que se quer ganhar jogos?
E que dizer quando no primeiro jogo já se faz alinhar dois e depois mais outro jogador em condições físicas deploráveis?
Verdade que os outros também se arrastavam.
Tenho pena e o máximo respeito pelos cinquenta e tal mil que lá estavam na bancada a sofrer e de que maneira.
Entre eles, um passou ontem a condição de ovelha negra do rebanho.
É bem feito.
Para a próxima pague o jantar mas mande um assessor falar.
Obrigado Rui Costa.

14 Aug 2007

Love Nest


Malta - Luga (MLA-LMML)

Crónica só para machos


Os dois maiores cineastas portugueses, depois de O Velho (peço desculpa, mas deitei fora o papelinho com os nomes e agora não me recordo deles) começaram a fazer duas fitas.
E como são muito originais escolheram como tema as putas.
Bem, não são propriamente putas daquelas que andavam e ainda andam no Cais do Sodré a ganhar o pão com o suor do corpo, são putas finas, são as call girls, são as Carolinas Salgados.
E como uma boa publicidade nunca fez mal a ninguém, um jornal de referência e um semanário de referência publicam para pôr a malta a salivar, extractos do guião em folhetim.
Não vou escrever os nomes por duas razões, primeiro porque jornal de referência só há um e semanário de referência também só há um ( e neste caso é o outro, que foi aqui posto porque dá jeito ao texto) e segundo porque a publicidade paga-se e estes dois pertencem a uns fulanos que não dão nada a ninguém.
Vamos então ler um bocadinho de um, só para verem como isto vai colocar Hollywood em sentido:
Diz a senhora puta:

Estás ver aquele Lamborghini? É um dos sete que ele tem, um para cada dia da semana. Paga-me uma avença de 2,500 por mês só para eu estar disponível quando vem a Portugal, o que nunca aconteceria mais do que duas vezes por ano. 30,000 por duas fodas por ano. É o que tu ganhas num ano. O gajo tem vícios muito esquisitos, nem queiras saber. Mas por 2,500 euros por mês, quem é que se queixa?

Claro que ele não se fica, olha quem. E amanda-lhe logo resposta.
Ei-la:

Podes pensar que vais ter essa cara e esse corpo para sempre, mas não te esqueças que, a cada minuto que passa, nasce uma miúda mais nova e que é uma melhor foda.
Ès um cabrão (responde ela)


Meu Deus. Vai ser um sucesso, digo eu.
Pode ser, não é garantido que ainda se vejam as mamas (só para dar mais cor ao argumento) da Soraia Chaves.
Calma meu, não é preciso sair a correr para comprar bilhete.
Ainda está em rodagem.

Sobre a outra magnum opus o melhor é dar a palavra a quem sabe:

A noite tem destas coisas e, no calor do ambiente do alterne, há clientes que se excedem. Com a mão pousada na coxa de ‘Sofia’ (Margarida Vila-Nova), olhar malicioso, o ‘cliente’ (João Loy) vai enfurecer a ‘alternadeira’.

É sobre a vida da mulher que conquistou o Norte e depois conquistou o Sul, sempre com as mesmas armas, que não se gastam apenas vão ficando mais velhas, e isto remete-nos para a primeira película.

13 Aug 2007

In limine

Até amanhã se Deus quiser.

É assim que um dos pivots da TVI termina a sua intervenção no noticiário.
Gostei e aliás uso muito esta interjeição.
Embora, por vezes, ela se confunda com um hábito significa antes de mais que devemos pôr o nosso destino nas mãos Dele acreditando que a sua decisão é sempre a melhor para nós, como Pai.

Estou é admirado como é que o Bloco de Esquerda ainda não agendou uma intervenção no Parlamento ou uma manif nas ruas para protestar contra este abuso num Estado que se quer, nem que seja à força, laico.

Ia mesmo acrescentar outro grupo que também não gosta mesmo nada das leis de Deus, mas começavam logo a chamar-me nomes e por isso considerem como não escrito aquilo que eu queria escrever e que assim pode ser considerado escrito.

Deo Gratias



Escanteie sem bundar, negão!


Richarlyson é médio do São Paulo meteu um golo ao Palmeiras e depois desatou a comemorá-lo com umas danças tão esquisitas, que os jornais, esses malditos, começaram logo a dizer que ele quando tomava banho colectivo atirava o sabonete para o chão e depois apanhava-o sem dobrar os joelhos.
Ele não gostou e tinha razão.
Afinal nem os que são gostam de ser chamados assim, quanto mais os que não são.
E depois continuaram os problemas.
Apareceu um jornal a dizer que ele ia dar uma entrevista em que se afirmava como tal.
Depois armou-se a confusão brasileira, afinal era outro com o mesmo nome e não tarda nada ainda se vai descobrir que esse está a caminho aqui do torrão lusitano.
Chateado Richarlyson meteu tudo em tribunal.
O Juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho não foi de modas e mandou arquivar o processo e ainda fez uma série de avisos.

Disclaimer

O que se segue é uma transcrição e não envolve qualquer apoio ou rejeição do autor do blog e se alguém se considerar ofendido com os mesmos deve reclamar directamente na Embaixada do Brasil ou através da delegação dos LGBT na sua terra.

Escreveu o douto:

Se fosse homossexual seria melhor que abandonasse os gramados.
Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual.
Homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida.
Não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol.


O pobre do Richarlyson ainda por cima é preto e o douto não se esqueceu disso, e escreveu:

Também o negro se homossexual, deve evitar fazer parte de equipas de heteros.

Pode ler tudo aqui .

12 Aug 2007

Nota Técnica 6,45
Nota Artística 9,36


O primeiro apontamento sobre o desaparecimento da miúda inglesa no Allgarve, é que a Polícia Judiciária de Portimão deixou roubar o emblema da placa que tem à porta e ainda não encontrou o culpado ou então tem medo de lá pôr um novo.
Não faz mal.
O problema primeiro está por dois ou três Sois de ser resolvido.
A grande criminologista Felícia Cabrita começou a analisar o caso com as cautelas que sempre coloca nestes assuntos e muito breve vai desvendar a verdade.
Provavelmente quando ocorrer outra data simbólica, por exemplo quando Mercúrio, Saturno e Plutão estiverem alinhados (porque é que ainda não telefonaram à Maya?) ou então quando aquela senhora jornalista inglesa que mandou prender o Murat, vier cá para o libertar.

O circo que está montado à volta deste caso é verdadeiramente obsceno.
É provável que alguma das personagens principais desta tragicomédia seja verdadeiramente culpada.
Pode ser que o verdadeiro culpado nunca seja encontrado.
Pode até encontrar-se um culpado sem encontrar o corpo, nisto até não somos maus.
Agora o que de vez em quando me pergunto é:

-Aqueles jornalistas vão para casa e dormem de consciência tranquila?
-E aqueles populares que vão lá, só para verem o sítio onde tudo aconteceu e darem uma olhadela nos pais, perceberão que lhes foi reservado o lugar de palhaços no circo?

Também andou de tartaruga


Mário Soares é entre os mínimos, o responsável máximo pela descolonização exemplar.
Nos tempos em que era mais jovem, num episódio já desmentido um milhão de vezes, pisou a bandeira nacional (um trapo, na linguagem pitoresca do pitoresco Daniel Oliveira) em Londres, quando Marcello Caetano lá se deslocou em viagem de Estado.
É um gastador nato, do dinheiro dos outros, e continua a custar ao povo português um zilhão de euros que entre outras coisas pagam os seus telefonemas pessoais.
Adora falar.
Dá opiniões definitivas sobre tudo e sobre todos e sobretudo não gosta nada de ser contrariado.

Ora é sobre esta personagem da nossa moderna História que o brilhante director do Público faz um editorial, em recente dia, porque ficou muito desagradado por o mesmo ter elogiado uma acção de esquerda democrática de Chávez.
Vamos ouvi-lo:

Mas onde o fundador do PS se excede largamente é nas suas referências ao autocrata venezuelano, Hugo Chávez, altura em que chega ao ponto de justificar a sua decisão de encerrar um canal de televisão privado que lhe era hostil. Como? Primeiro, defendendo que o canal não foi encerrado, apenas não viu renovada a sua licença. Depois, achando isso justificado porque "era um canal de uma imensa agressividade e impertinência para com o Presidente da República eleito". Por fim, sugerindo que não lhe cabe avaliar a decisão por ser "português, europeu" e ter "outra formação". Tudo isto é gravíssimo, pois permite justificar as ditaduras em países não europeus e considerar legítimo calar um órgão de informação porque este critica o Presidente da República. É de novo o mundo em que nos habituámos a ver Soares virado de pernas para o ar, e este a perder as suas referências centrais.

José Manuel Fernandes, treme sempre em duas situações.
Quando alguém ataca a liberdade total dos meios de comunicação social publicarem tudo o que lhes dá na gana ou quando a Alta Autoridade para a Comunicação Social (acho que já mudou de nome e de administradores) lhe manda publicar um direito de resposta.
O último caso não é grave, e ele faz por ignorá-lo até ao limite.

Mas onde o senhor director falha redondamente é quando tenta analisar a reserva moral da República.
Diz ele, sobre o venerando:

O que diz ou escreve nunca é encarado como o fugaz comentário de um opinion maker, antes tende a ser visto como a voz avisada de um ancião cheio de energia e experiência.

Voz avisada? Ó meu senhor, o ancião considerou sempre as pessoas, as ideias e os ideais, como simples plataformas da ambição pessoal.
Soares sempre se viu como o centro do Mundo, sempre considerou que a História lhe iria reservar um magnífico capítulo.
Nos delirantes momentos em que montado sobre em elefante, se imaginava um Sandokan mais maduro, pensava que juntamente com a sua carochinha podia ser um Konrad Adenauer mais moderno, um Kennedy menos mulherengo, um Juscelino Kubitschek menos esquerdista.

A história, a portuguesa não a mundial, reserva-lhe uma nota de rodapé.
Infelizmente.
As províncias ultramarinas, os milhares de mortos, os retornados, mereciam mais.
Mereciam a verdade

11 Aug 2007

O trabalho educa


Uma imagem vale por mil palavras, dizem.
É verdade.
Três engravatados mais três desengravatados, vêm dois fulanos a trabalhar (que pelo aspecto devem ser, um ucraniano e o outro angolano).
A imprensa atenta e veneranda estava lá para mostrar o arranque do programa.
Acontece que, segundo o Público, nenhum dos onze mil funcionários da Câmara Municipal de Lisboa estava em condições de fazer este delicado trabalho e assim foi uma empresa de Cascais que o efectuou.
A referida empresa tem um contracto com a autarquia por dois anos no valor de um milhão de euros.
Os políticos adoram trabalhar, onde as televisões os possam filmar.

10 Aug 2007

Great Buddy


Harold Budd juntamente com Brian Eno criou dos melhores momentos musicais que se podem obter com aquelas sete notinhas.
Particularmente este disco acompanha muito bem grelhados.
Pode ouvir aqui uns apontamentos.

Para Marina


The nearer the Church the further from God
Bishop Lancelot Andrewes

Marina, muito simpaticamente, num comentário a um post meu encoraja-me a “reflectir nas palavras de Cristo de forma séria” e vai avisando que a sua ideologia é diferente da minha porque “o meu primeiro principio é que a minha importância é igual à de qualquer outro ser humano; o segundo é que ninguém manda em mim, e eu também não mando em ninguém.

Antes de mais devo dizer-lhe que tenho a maior dificuldade em considerar-me cristão. Não que não gostasse de seguir tantos e tão avisados conselhos, mas só a ideia de oferecer a outra face, causa-me arrepios.

E por outro lado, e muito francamente, não considero de maneira alguma que a minha importância seja igual à dos outros, cada um é um ser único e deve afirmar o seu valor e logicamente num mundo competitivo ser o melhor entre os melhores.
É assim que as coisas funcionam e ignorar estas regras básicas pode ser politicamente muito correcto, pode ficar muito bem numa conversa de café, mas é uma novela brasileira e não uma realidade.
E por isso uns mandam e outros são mandados.

Agora quero acreditar que existe um Ser Superior e que esta vida tem sentido se se prolongar numa outra dimensão que espero não julgue que estou a confundir com essas tolices da reencarnação.
Se quando morrermos tudo acabar qual a diferença entre nós e um carapau?

Mais do que ser cristão, ou seguir as palavras de Cristo, o qual muito justamente já foi considerado um dos percursores do comunismo, o que interessa é ter uma vida de que no nosso íntimo nos possamos orgulhar e sentir como pais que conseguimos ser um exemplo.
Da parte que me toca, tive essa sorte, para a qual trabalhei.

Como deve ter reparado tenho valores que hoje estão em completo desuso nas sociedades modernas. Afirmá-los vai contra tudo o que hoje é considerado moderno. Nada que me preocupe, pois é bem certo que a sociedade encontrará em si os meios necessários para corrigir os desvios que de tempos a tempos se tornam modas.
E, claro, acredito que um dia todos seremos julgados por uma Lei acima de nós.
Espero ser perdoado.

Ethics does not treat of the world. Ethics must be a condition of the world, like logic.
Ludwig Wittgenstein


8 Aug 2007

Ó da Guarda!


Centro de Saúde de Massamá.
Pronto há mais de um ano.
Nunca funcionou.
Aguarda.

6 Aug 2007

Ricas famílias


Não é novidade para ninguém, que a civilização pode sempre ir para limites abjectos ou como disse Bronson Alcott “Civilization degrades the many to exalt the few”.

A Amsterdam Gay Parade de 2007 resolveu fazer verdadeira esta afirmação e contou com algumas excentricidades, como segue:

Extravagance and provocativeness characterized the dress - or lack of dress - of many homosexual participants dancing and singing on the boats.
However, some boats were out to make more serious statements. For the first time ever, a group of 40 teenaged gays aged 11 to 16 participated in the world famous gay parade. They were accompanied by their parents.
The initiator of the teenage gay boat, 14-year-old Danny Hoekzema, said the participation of teenage gays was necessary to ask attention for the position of young gays.
The second novelty at the parade was a boat carrying mentally disabled homosexuals
.

Eu penso que há sempre uma altura em que as pessoas podem parar, para pensarem, mas quando se entra numa via descendente de vício e onde vale tudo, provavelmente estou mas é a ser ingénuo.
Aliás, estou mortinho de curiosidade, para ver os comentários indignados dos habituais dizendo que “não senhor, não aprovamos estas modernices”.
Claro que a inteligente ferónica está isenta e não precisa de vir aqui dizer nada.
Ela, do alto da sua superioridade moral, só quer é ser discreta.
Estes não.

Pode ler a notícia aqui
Post após ter lido isto

4 Aug 2007

Grande bandeira


Salve, valentes desportistas portugueses, que chegais da vossa provinciazinha, lá longe, marcada a cor-de-rosa no mapa e delimitada por uma leve linha pontilhada.
Presidente da Municipalidade de Toulouse em 1937


Daniel Oliveira é uma pessoa de grande sucesso.
Ganha muitíssimo bem a escrever textos para o Expresso e a conversar durante um hora na SIC com uns senhores dos quais só reconheço a Clara Ferreira Alves.
E tem além disso um blog que é um sucesso nos comentários (mesmo que tenham que passar por uma censura análise prévia).
Foi ainda fundador do Bloco de Esquerda e nessa função está encarregado de explicar (juntamente com Miguel Portas & Outros) porque é que um esquerdista-marxista-leninista que se apresentou como contra poder ás eleições pode agora ter aceite o pelouro dos jardins.

Mas não é isso que motiva este apontamento.
Hoje no Expresso, escreve uma crónica das Arábias (está na Turquia em gozo de merecidas férias e ao mesmo tempo apalpa as nuances políticas do futuro maior estado europeu) sobre o que se pode fazer à bandeira, um pedaço de pano como ele lhe chama ou ao hino nacional, uma canção, nas suas pitorescas palavras e isto a propósito da brincadeira como ele lhe chama do cartoon dos Príncipes das Astúrias.

Daniel acha que se deve poder rasgar, queimar, pisar maltratar a bandeira como símbolo nacional.
E termina com um elogio ao Estados Unidos.

. É o único país que conheço em que a bandeira nacional pode ser queimada, pisada e maltratada sem castigo. Isso sim, é uma bandeira que se dá ao respeito. *

São pessoas como esta, que aqueles que deitam o papelinho no Bloco das Causas Fracturantes, esperam que governem Portugal.
Daniel, deixe-me dar-lhe um conselho.
Cuidado com o narguillé, faça como o Clinton, fume mas não inale.


* Veja aqui

3 Aug 2007

Obrigado


Hoje almocei na tasquinha ao pé da minha casa em Benfica.
Era peixe assado no forno, um prato que eu faço muito bem em sonhos, acompanhado de um jarro de vinho verde à pressão mais um café e ainda se pode ler o Correio da Manhã e A Bola de borla, tudo por cinco euros.
Tem ainda uma grande vantagem, cento e dois por cento dos clientes são do Benfica.
Além disso o dono é do Benfica, o filho do dono idem e a Mãe trabalha na cozinha.
Tem ainda uma ucraniana, ou seja sítio mais português não há.

Tem uma esplanada e olhando para ela lembrei-me de como seria tão bom estar lá a almoçar com o meu Pai.
Mas ele já partiu e agora já nada é igual.
Lembrem-se, ontem já passou, amanhã não se sabe o que poderá acontecer.
Só existe o hoje.
Aproveitem.

Rezo por vós


(este post é dedicado ao Zé Vazelina e Outros)


Joana D'Arc ouvira um apelo de vozes e foi a Chinon onde reconheceu Carlos VII porque o tinha visto em foto. Tirou-o do seu amolecimento. A principio, ele tratou-a como louca, mas ela insistiu e o Rei deu-lhe homens.
Joana partiu para o campo com o seu estandarte numa mão e a sua virgindade noutra.
Libertou a Nova-Orleães, conduziu Carlos VII a remos, para o fazer sangrar, e assistiu, com toda a nobreza, a esse santo sacramento.
Os ingleses fizeram-na prisioneira e foi queimada em Ruão porque era virgem e artrítica.
Morreu viva.


Retirado de La Foire aux Cancres - Jean Charles - Société d'Edition Calman-Lèvy, Paris