20 Sep 2012

Vidrinhos



Maria Teresa Horta recusou-se a receber um cheque referente a um prémio das mãos de Passos Coelho.
Depois de um ligeiro impasse a Fundação (mais uma) Casa de Mateus resolveu o problema enviando-lhe o cheque para casa por correio registado com aviso de recepção.
Foi bom, evitaram-se desnecessárias idas lá acima e os CTT em vias de privatização lucraram.
Passos Coelho salvou-se também de um possível problema.
Imaginemos que a senhora no arroubo do prémio começava a declamar um dos seus poemas.
Podia, sei lá, ser este.

Não te digo tanto quanto
quero
Nem te faço tudo quanto sonho

Não me basto junto a ti
secreta
Quando me entrego e a ti me oponho

Não te conto sequer
porque imagino
Ser o desejo o carmim da boca

Morro de sede perto dos teus lábios
de ti quero ir bebendo
e ficar louca

Ora quem podia muito bem ficar louco era o nosso primeiro, com a cabeça cheio de folhas de Excel onde os números aparecem todos a vermelho, ele ao ouvir a palavra terrível “carmim” acordava (dormita-se sempre nestas solenes sessões) e estremunhado ainda inventava mais um imposto.


2 comments:

Isabel Metello said...

Aahahahahahah! Fado Alexandrino you´re one of my heroes!

Só não entendo algo :) se alguém não quer receber um Prémio, tb não o recebe em termos pecuniários, i.e., recusa o pacote. Eu acho que os Prémios, a partir de agora, deveriam ser atribuídos por packs :) ou aceita tudo ou não aceita algo :)))

F.A. said...

Obrigado.
Andamos todos a fazer pela vidinha como diria o saudoso O'Neill.