30 Jun 2008

Campeões


Lá terminou o Euro 2008 e como não podia deixar de ser Portugal foi campeão.
Sim, eu sei bem, que quem levantou a taça ontem foi a Espanha, mas essa, coitada, só consegui ganhar no jogo jogado.
Ora nós fomos campeões e com inteira justiça no jogo falado.
Os jornais encheram-se de milhares de palavras, lá está, onde era explicado muito bem porque é que íamos ganhar.
Ora tínhamos o melhor jogador do mundo, a melhor parelha de defesas do mundo, o melhor médio do mundo, avançados que já jogaram em todo o mundo, um seleccionador que é do outro mundo, um povo que descobriu o mundo.
Querem mais?
Então fizemos coisas que mais ninguém no mundo fez.
Um treino com bilhetes verdadeiros com direito a mercado negro, transferências no período de concentração, idas a cidades bem longe para tratar de problemas pessoais, putativas transferências antes dos jogos, durante os jogos e após os jogos.
E bandeiras muitas bandeiras.
E cortejos e fanfarras e muito, muito paleio.
Ora como bem sabemos nisto de foguetório antes de se ganhar seja o que for somos especialistas e, lá está, mais um campeonato ganho.
Agora vamos descansar um bocadinho e toca a ganhar o Mundial de 2010.
Só uma coisa pode estragar esta vitória futura.
O loiro oxigenado presidente ainda lá estar.

20 Jun 2008

FuteGay


Portugal perdeu com a Alemanha.

Ora a verdade é que isto não é notícia.
Perdemos sempre seja lá o que for que esteja em disputa. Este problema só se consegue começar a resolver quando os alemães, os holandeses ou os croatas poderem começar a jogar e a trabalhar por nós.
Há o problema de não cantarem o hino.
Mude-se o hino.
E temos portanto que encerrado este assunto que empolgou os tugas cabe apenas lembrar a frase do ano, e ela foi como não podia deixar de ser, feita por um senhor jornalista que comovido perguntava ao brasileiro que ganhou o euromilhões em Portugal.

-Senhor fulano de tal, temos homens a chorar na cabine?

Olhem, eu não sei, mas temos alguns a chorar de alegria.
Desde logo a crer na notícia do Pasquim da Manhã, vão começar a ser autorizadas as visitas gay nas penitenciárias a pedido dos jovens namorados.
Por acaso eu pensava que eles resolviam o problema entre os presos, é assim nos filmes amaricanos, mas aqui com a mania das grandezas temos sempre que ser diferentes.

14 Jun 2008

Que belo par


Graças a João Gonçalves fiquei a saber que a Casa Fernando Pessoa e a Câmara Municipal de Lisboa vão organizar um evento onde haverá música hip-hop para dar uma nova roupagem a Fernando Pessoa e graffiti para evocar a obra do mesmo.
Participam Melo D, Maze e Fuse dos Dealema, Raptor, Rocky Marsiano, Rodrigo Amado, Sagas, Dj Ride, T-One, D_Fine e Viriato Ventura (pai de Sam The Kid) e as pinturas rupestres serão efectuadas por Nomen, um dos mais reputados writers nacionais.
Os amendoins são gratuitos.

Ora João Gonçalves ficou ofendido.
Não tem razão.
À frente daqueles dois organismos estão dois vultos muito conhecidos.
De um lado o monhé que governa a cidade e que vive em Sintra.
Do outro a maior escritora portuguesa no género crónica feminina, aliás é assim mesmo que se chama a coluna onde todas as semanas estraga uma árvore no Expresso.
Ainda outro dia insultou António Lobo Antunes.

Portanto, de onde vem nada havia a esperar.
Merecemo-los.

12 Jun 2008

O Ministério da Saúde recomenda...


Prontos, está tudo bem.
Vai haver gasolina, os senhores camionistas já deixam passar os outros senhores camionistas. Aquilo não era uma greve, e nos piquetes de greve apenas queriam conversar diríamos mesmo dialogar.
Um calhau ajudava a estabelecer pontos de acordo.
Portugal ganhou um jogo e milhares foram gastar esta mesma gasolina para festejar.
Sócrates agradece imenso estes arroubos.
Entretanto há sempre um fulano a estragar a doce paz.

“As vítimas receberam assistência médica no Hospital Distrital de Santarém. Pai e filho, que sofreram apenas cortes no rosto, tiveram alta ainda durante a noite. A terceira vítima, que ficou ferida num dos olhos, foi transportada a uma unidade hospitalar de Lisboa, uma vez que em Santarém não há serviço de oftalmologia.”

Não se percebe.
No distrito que tem o presidente de Câmara que mais vê o hospital não presta.
Vai para Lisboa.
No de Faro não fazem nada a quem apareça com problemas de ter partido a cachimónia.
Vai para Lisboa.
No da Guarda, no de Bragança deve acontecer o mesmo.
Vão para Lisboa.

Ora é altura de se pedir à Ministra da Saúde que tem uma voz meiguíssima para dizer nada que publique um panfleto com os problemas e doenças que os portugueses podem ter por distrito.
Assim eles já se podiam organizar e evitavam este turismo médico que entre outras coisas gasta a gasolina necessária para os festejos.

11 Jun 2008

Já tivemos


Cavaco Silva, coitado, não lê jornais.
É um hábito que lhe ficou do tempo em que era primeiro-ministro e verificava que os pobres dos jornalistas não conseguiam interpretar o que ele dizia e por norma escreviam montes de asneiras.
Agora ele foi subindo na vida e é a autoridade máxima em Portugal.
Os jornalistas continuam iguais.
Bem estão até um bocado piores porque saem às fornadas das universidades e vão trabalhar a recibo verde para as empresas que mais gritam contra os recibos verdes.
E continuam a não saber ouvir.
No dia do feriado em que toda a gente vai para a praia e chateado por lhe estarem a fazer perguntas a despropósito disse claramente
“ hoje é o dia de estarmos a falar da raça, é o dia da raça”.
Foi a catástrofe!
Então ele não sabe que os senhores jornalistas e já agora os senhores políticos de esquerda, não conseguem interpretar uma frase tão grande e com uma vírgula?
Cavaco queria referir-se aquela raça, aquele brio, aquela vontade que já caracterizou os portugueses.
Mas não foi compreendido.
Pois não, ele estava a falar de um povo que já não existe.
Como é que haviam de perceber o que ele disse?

9 Jun 2008

A Granel


A Câmara Municipal de Lisboa está falida.
Não tem dinheiro para mandar cantar um cego.
Só tem dinheiro para quem vê muito bem.
Um associação que vende livros consegue que esta câmara lhe dê duzentos mil euros todos os anos com a promessa de um evento cultural.
O qual é a As Barracas Pela Encosta Com Livros.
Com esta é a terceira vez que lá vou.
O espectáculo não podia ser mais pindérico.
As habituais barraquinhas, nesta edição com uma versão melhorada, patrocinada pelo novo gigante dos livros, lá estão.
Os livros também como salsichas num talho.
A diferença daquilo para uma barraquinha nas feiras a vender hambúrgueres é nenhuma.
A animação é nula e só aumenta um bocadinho na barraquinha dos gelados.
Até onde descobri a cultura resume-se a um desgraçado de um escritor a torrar ao sol e a assinar livros em linha de montagem.
Gente para cima e para baixo.
Tristes, os monos não valem nada, os que valem têm o desconto igual à FNAC.
Pode ser que para o ano deixe de se fazer esta fantochada e com o dinheiro melhorem algumas das casas de que a Câmara é dona e que, como esta feira, caiem aos pedaços.

6 Jun 2008

Preto no Branco


Finalmente e depois de muitas voltas e rodriguinhos alguém (e que alguém) vem esclarecer a simpatia dos fazedores de opinião lusos por Obama.
Fernanda Câncio depois de nos contar uma história comovedora passada entre um preto e uma professora numa escola portuguesa conclui que a eleição de outro preto para possível presidente dos states demonstra que um dia vai fatalmente acontecer o mesmo aqui em Portugal.
Ora isto é um bocadinho trágico porque toda a campanha feita pelo próprio e pelos seus apoiantes e admiradores reside exactamente no contrário.
Querem fazer passar a ideia que o senhor tem inúmeras ideias e ideais novos e que o facto de os pretos (lá dizem os afro-americanos) votar massivamente nele é apenas devido a todos gostarem da mesma marca de cerveja.

Uma coisa que eu gosto nos senhores jornalistas é a facilidade com que colocam perguntas sem cuidar das respostas.
Pergunta a nossa Segunda Dama:

Por que motivo não há um único pivot negro na TV portuguesa, por que há apenas um negro no parlamento (Hélder Amaral, do PP), por que há tão poucos jornalistas e comentadores negros, ou, mais prosaicamente, por que razão um grupo de negros num centro comercial sobressalta os seguranças

Pois é porque será?
Eu apenas sei que no último exemplo apresentado o motivo deve ser uma questão de percentagem.
Esclareço, a percentagem de problemas.

Felizmente vai tudo mudar.
Quando?
Ora como Ela diz:

E doravante, dar-se-ão também mal os que vivem de desculpas e ressentimento, os que repetem "para os pretos não há hipótese": Obama conseguiu. Pode não mudar mais nada, mas isso já mudou.

Pois mudou. Pelo menos deixou de haver hipocrisia à volta de uma candidatura cujo mentor (oportunamente chutado borda fora) conclamava “morte aos brancos”O que como sabemos, visto do outro lado, é apenas manifestação de troplicalismo.

4 Jun 2008

Doeu


À volta de Alegre, haverá eleitores do PS, do PCP, da extrema-esquerda e moderados avulsos; haverá cantores e artistas de várias áreas; haverá professores, muitos, e funcionários públicos, mais que muitos. Em suma, é natural que a sua candidatura, a ser retomada em 2010, reúna toda ou quase toda a oposição à esquerda. Para disputar Belém a Cavaco ou simplesmente para fixar de vez as bases de um movimento amplo, isso é o que depois se verá.
Nuno Pacheco in Público


Uns chamaram-lhe festa, outros comício. Francisco Louçã, do BE, disse mesmo que iria ser a "maior mudança dos últimos anos na esquerda portuguesa". Mas o encontro de ontem à noite, no Teatro da Trindade, em Lisboa, que reuniu gente de vários sectores da esquerda (o PCP optou por ficar de fora), entre os quais Manuel Alegre e outros socialistas, foi, acima de tudo, uma sessão de protesto contra o Governo de José Sócrates e as suas políticas.
Dos jornais

O profissional de política Manuel Alegre, elevado à categoria de doutor por VPV, se tivesse um pingo de vergonha na cara abandonava imediatamente o PS e ia tratar da vidinha por outras bandas.
Manuel Alegre poderia em casa própria fazer agora um belo soneto em que com aquela bela voz declamasse Roma, punhais e traição.
Ao apadrinhar ontem a festa-comício de um partido trauliteiro que vê na rua a fonte de toda a legitimação deu uma bela facada nas costas do seu próprio.
Como se vê pelos jornais de hoje a esquerda folclórica está eufórica com o poeta.
Sempre foi assim, é sempre necessário um bobo que possa ser usado para enfeitar a festa.
De qualquer maneira Alegre assinou uma sentença.
Ou consegue que Sócrates perca as eleições e fica no PS ou então terá que sair.
Sócrates nunca lhe perdoará.

No Gamanço



Uma pequena notícia de jornal, dá-nos conta de que um processo chegou ao fim de doze anos a julgamento.
Juntem-lhe agora mais um para o propriamente dito e depois outros doze em recursos e vejam como é que a justiça é feita neste país e quais as condições que se dão a quem quer investir.
Mas o mais interessante da mesma é o seguinte:

Os donos da empresa, Luís e Sérgio Garrucho de Sousa, que agora estavam dispostos a devolver o sinal a dobrar, dispunham à época da obra de grandes influências na Câmara de Lisboa, visto que o vereador das Finanças (Luís Simões) e o chefe de gabinete do presidente (Leiria Pinto) eram seus sócios numa cooperativa de habitação particularmente favorecida por decisões do então autarca Jorge Sampaio. Os construtores da Vila Correia tinham apoios na CML, onde conseguiram benefícios excepcionais em vários processos.

Lembro que esta câmara não é na Colômbia mas nos mercados locais vende-se muita banana.
Pode ser lido na totalidade na edição de hoje do Público.

3 Jun 2008

PREC II



O COPCON controla os acessos a Lisboa, onde populares levantaram barricadas, incitados pelo PCP, sindicatos e boa parte da imprensa escrita.
(dos jornais)

Foram organizadas por gente do PCP, que à semelhança do que fazia na cidade, tentava impedir que os cidadãos se movimentassem e expressassem livremente. E creio que estariam armados, pois eles andavam sempre com armas naquelas circunstâncias. Mas se não passássemos a bem passávamos a mal e não tiveram outro remédio senão desviarem-se do nosso caminho. Quando chegámos à entrada da ponte 25 de Abril demos com nova barricada e, tal como na primeira, nem sequer parámos.
(Francisco Soares Feio)

Pois é.
Mas agora pararam mesmo, ou melhor o Grande Líder, aquele que nunca vacilava, deu um tropeção quase igual ao que outro Grande e Amado Líder deu há uns tempos atrás.
Acabou-se aquele mito do inflexível.
De agora em diante não vai haver grupo ou associação que não saiba que uma boa barricada com uns sólidos cadeados e uns cacetes por perto chega para quebrar as costas ao atleta do jogging.

Restam-lhe duas coisas.
Um bom robalo grelhado.
A outra todos sabemos.

2 Jun 2008

Tá tudo bem


Gostava de fazer um post daqueles muito bons que levam uma data de comentários, mas não acontece nada que valha a pena aqui no quintal.
Bem os agricultores pedem subsídio, os pescadores pedem subsídio, aquele senhor que é o dono do Movimento Democrático dos Utentes da Ponte Sobre o Tejo pede subsídio, mas o que é que isso interessa num país onde toda a gente pede subsídio?
Também se podia escrever sobre aquele episódio de uns fulanos fecharem a cadeado uma lota, destruírem o peixe que estava lá dentro e não deixarem entrar nem sair ninguém sem ser revistado.
Mas isto é normal, já se fazia no PREC e como sabem a história repete-se (como farsa dizem).
Outra boa hipótese era a crise que se vive no quintal e parece que há dois milhões de pobres.
Mas com o barulho que os noventa mil por noite fazem no Rock in Rio cujo bilhete só para entrar custa cinquenta e três euros não me consigo concentrar.
Uma senhora caiu em casa e partiu a cabeça.
Teve azar de ser no Allgarve e no hospital que serve o mesmo e que está sempre cheio de turistas só tratam bebedeiras. Falta uma coisa qualquer com um nome esquisito e portanto mandam os doentes para Lisboa.
Esta já não veio a tempo. Morreu. Normal, já aconteceu ao Joaquim Agostinho.
É melhor fazer férias em Cancoon.
E prontos! pode ser que amanhã surja uma boa ideia.

30 May 2008

O Frei Tomás Português


Portugal tem, em 2006 … dois pontos acima da média da UE, está ao nível da Irlanda, três pontos abaixo da Grécia, dois pontos abaixo da Espanha e da Itália e um ponto abaixo do Reino Unido. Longe da Noruega, da Dinamarca, da Suécia e da Holanda.

Quem fala assim não é o Gabriel Alves, mas uma das mais reputadas jornalistas económicas portuguesas.
Porque sobre o que ela fala é sobre a economia.
E porque é que ela fala, hoje, sobre a economia?
Ora muito bem, porque o namorado foi criticado por não ligar peva aos problemas económicos do rebanho que pastoreia, e como todos sabemos o Amor é a coisa mais linda do Mundo.
Adiante.

Quem também veio falar da pobreza dos outros foi o excelentíssimo Doutor Mário Soares.
Ele ordena aos jovens que de momento estão a tomar conta do PS que
“façam uma "reflexão profunda" sobre "a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias" e sobre "questões prioritárias", como "a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho”.

Meu senhores, vindo de quem nunca teve um trabalho na vida, de quem governou os tugas durante anos a fio, de quem espatifou milhões e milhões em passeatas pelo globo (lembram-se do simpático casal montado no elefante e dele montado (salvo seja) na tartaruga, de quem tem uma reforma mais que milionária, de quem tem carro, secretária adjunto e mordomo às ordens, a quem a Câmara Municipal de Lisboa ofereceu meio milhão de contos para guardar os seus livros e a quem os portugueses pagam os polícias que lhe guardam as várias casas particulares e que mesmo assim ainda quer, e tem, as contas telefónicas pagar por nós, parece ser um bocadinho de atrevimento.

Mas a este velhote tudo lhe perdoam.

27 May 2008

Bué Meu


Banú Mica Marle de Melo era um jovem empresário, cuja carreira terminou numa quinta-feira, ia a dizer à noite, mas a verdade é que foi aquela hora em que as pessoas honestas saltam da cama para vergar a mola em tarefas bem duras.
Trabalhava no import-export.
Comprava droga e revendia-a com apreciável sucesso nas ruas.

Conforme os senhores da polícia dizem “tudo indica que o jovem baleado constava dos ficheiros como um dos elementos associados ao tráfico de estupefacientes no Bairro Alto.”
Mas o jovem Banú tinha muitos sonhos queria progredir.
E conforme um jornal dizia, estando desempregado, frequentava um curso de formação profissional e também estava no fundo do desemprego.
E, é claro, o senhor formador, não achava nada estranho que o jovem se por acaso lá aparecia, aparecesse sonolento.

Sente que lhe estão a mexer na carteira?
Tem razão!

26 May 2008

Não é para todos



Dizem que isto está mau.
Que é preciso apertar o cinto.
Concordo.
Faça-o com elegância, clique na foto, e aproveite que podem acabar
.

25 May 2008

Preparar, Largar, Estampar!


Os sinais do desastre avolumam-se.
Um fulano que é o centro total de todas as atenções e a inveja (meus senhores desculpem lá, apesar de artistas do pontapé na bola, são humanos) dos outros vinte e dois.
Outro fulano que anuncia que se joga no clube, então aqui é também para jogar.
Outro fulano que diz ser o único que tem pé esquerdo e que ainda por cima gosta imenso da família.
Vários fulanos que já não jogam há muito, muito tempo, e agora querem jogar.
Um fulano que vai deixar de jogar e deixa o recado, eu tenho que jogar.
Então não ajudei quando podia? Agora ajudem-me a mim!
Contractos e mais contractos, empresários e mais empresários e, claro está, jornalistas que querem notícias, novidades, verdades e mentiras.
Um é cigano os outros parecem.
Uma terra que começa a ficar aborrecida de não poder ver os treinos que julga, naturalmente, seus.
Se tivesse música podia ser o Titanic Parte II.

24 May 2008

TIR(o) nestes fdp


Aviso
O texto que se segue é pura ficção e trata-se de uma experiência de autor para um film noir a estrear nos cento e vinte anos do Manoel.

Um dia numa cidade muito distante um pobre desgraçado sai de casa para ir trabalhar como varredor de ruas.
Tinha 47 anos e sonhava com o dia em que se reformaria com 327 euros e depois pudesse arranjar um biscate para poder ir morrendo decentemente de fome.
Ia conversando com os colegas de profissão e eis senão que do nada surgiu um carro que galgou o passeio onde ele caminhando apanhou-o de costa e matou-o.
Para o filme se tornar um pouco mais dramático e não vá a vida imitar a ficção decidi que ele tinha mulher e duas filhas sendo uma menor.
Agora um belo close-up e foquemo-nos na outra personagem.

Jovem conduzia um carro roubado não tinha carta e o próprio carro não tinha seguro.
Após o atropelamento seguido de fuga, o artista, que conduz um Volkswagen Polo e estava na companhia de um colega, tem um acidente junto à feira da Senhora do Minuto e foge a pé.
Para aumentar o drama do filme vamos imaginar que conta com antecedentes criminais por furto de veículos, assaltos a residências, carjacking, estando as autoridades convencidas que integra um gangue.

Depois do intervalo para se beberem umas cervejolas e comentar o último namorado daquela senhora que aparece nas revistas voltemos aos nossos lugares.

Pois bem o jovem não fez isso e não regressa a lugar nenhum.
Pelo contrário contracta uma advogada bem experiente que sabe muito bem as manhas que naquele país se inventam para não punir os criminosos e guardar todas as forças para que o fisco (e os condutores loucos) possa abater os cidadãos.

E ela sabe que é preciso apresentar arrependimento.
Assim fizeram, apresentaram-se numa esquadra com o mesmo e mais o bilhete de identidade e saíram com uma coisa esquisita que naquele país se chama TIR.

E é com um camião cheio de aplausos que assim espero o público no fim se levante a consagrar o meu filme.
É para Óscar.

23 May 2008

Petit em tudo



O senhor Petit comunicou à Nação que vai deixar de a defender.
As suas últimas tarefas como soldado serão este Verão lá longe na ÁustriaSuiça.
O senhor Petit para as vinte e tal pessoas que não saibam quem é, eu ajudo e esclareço, é um jogador de futebol.
Antigamente os desportistas achavam que era uma honra envergar a camisola nacional fosse lá em que desporto fosse.
Claro que mesmo agora entrevistados paras as televisões, jornais e revistas cor-de-rosa fazem fé em dizer o mesmo.
Mas assim como o senhor Deco e o senhor Pepe tiveram que aprender o hino a todo o vapor estes novos mercenários só jogam enquanto isso lhes for útil para poderem assinar por outro clube qualquer.
É uma montra dizem os entendidos e por isso quando começam os saldos é melhor sair.
Infelizmente o seleccionador é outro estrangeiro.
Fosse ele um português, dos antigos, e senhor Petit depois daquela infeliz tirada tinha as malinhas à porta do Hotel e começava mais cedo as férias.

22 May 2008

Sim, Não, Talvez


À senhora Doutora São José Almeida foi entregue meia página do jornal onde é empregada, o Público, para fazer umas perguntas aos candidatos a presidente do PSD que interessassem vagamente aos restantes portugueses que neste momento só querem saber o que (ou quem) é que o Cristiano Ronaldo vai comer hoje.
Ela não encontrou melhor assunto que temas sexuais, vá lá saber-se porquê?
As perguntas foram as habituais, homossexuais, casamentos entre eles e adopção de tenras criancinhas.
As respostas são no entanto esclarecedoras da fibra moral dos candidatos.
Repare-se:

Manuela Ferreira Leite
Admito, com certeza, que haja direitos em uniões de outra natureza que não entre pessoas de sexo diferente, mas não podem ser os mesmos do casamento entre pessoas de sexos diferentes.
Por mim, considero que se defende melhor a criança e a educação da criança com uma família de pai e mãe do que com uma família que não é assim constituída.

Neto da Silva
A adopção, nunca.
Casamento, também não.

Patinha Antão
As matérias dos novos estilos de vida, das novas famílias, devem ser objecto de um vasto debate em Portugal

Pedro Passos Coelho
Sinceramente, não sei se é preferível acrescentar no Código Civil, ao instituto do casamento, os casais de homossexuais ou acrescentar a herança às uniões de facto.
Sobre a adopção, tenho mais reservas. Não tenho uma posição definitiva. Estou disponível para reflectir com outros.

Pedro Santana Lopes
Não ao casamento do mesmo sexo.
Quanto à matéria de adopção, é aquela em que tenho mais dúvidas; tenho uma posição que não é fechada nessa matéria.

Repare-se neste conjunto e veja-se que apenas um teve a coragem de dizer a sua opinião francamente, não e não.
Manuela Ferreira Leite também disse um não mas é envergonhado é mais um peço desculpa sou candidata.
Os outros que são aliás ilustres parlamentares confessam que não têm qualquer posição.
Decidirão conforme os ventos soprarem ora de Sul ora de Norte.
Sãos os Roubários Benqurença do Parlamento!

21 May 2008

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce


Coitados dos lusitanos que vão ser enviados para a Áustria e Suiça no próximo mês de Junho.
Querem que eles tragam não a Lua mas o Sol.
E não se admitem desculpas (por acaso eu também não) aconteça o que acontecer.
Porque é que isto é assim?

Uma das razões é que as pessoas apoderam-se dos êxitos dos outros como se fossem seus e numa época de crise isso ainda é mais necessário.
Quando o Ronaldo marca um golo somos nós que damos um pontapé naquele chefe que nos massacra a vida se for com a mão ainda melhor, é aquela pequena trafulhice que se fez e passou despercebida, se for com a cabeça faz com que durante algum tempo a nossa não pense na carestia da vida, nos problemas dos filhos, no futuro complicado, no PIB (ia quase explicar o que isto é, mas também não sei), enfim é o coração cheio de alegrias em vez de tristezas.

A outra razão ainda é mais simples.
As televisões, os jornais, as revistas precisam de vender.
Este é um produto que tem compradores portanto há que dar-lho em doses industriais.
A SIC deve ter batido um qualquer recorde quando no domingo anunciava um programa de cinco horas para um jogo de futebol que dura noventa minutos.
Presumo que a final do Europeu onde Portugal defronta um mija na escada qualquer (nem se atrevam a falhar) vai durar dois dias.

A terceira razão é a mais simplex de todas.
Sócrates quer, os jogadores não se atrevem a falhar, a taça é nossa!

19 May 2008

É aqui, em Lisboa


Uma prostituta foi assassinada por um cliente numa casa abandonada da Câmara ao Areeiro.
Há mais de dez anos que ‘Isa’ se prostituía junto ao Instituto Superior Técnico para sustentar a família. Actualmente, estava a organizar a vida, a mobilar a casa de novo. Ia largar o mundo da prostituição no próximo mês para abrir um café no Bairro do Ourives, onde residia com três dos quatro filhos – de 17, 16 e cinco anos – dois genros, uma neta de dois meses e dois irmãos. "Ela era o pilar da família e morreu de forma trágica", lamenta Jorge.

O marido conhecido pela alcunha carinhosa de Tó Boi alinhava nos seus esquemas e no início da sua carreira ia ele próprio leva-la aos mesmos.
Isilda optou por se dedicar à prostituição a tempo inteiro e conseguiu juntar algum dinheiro. Dias antes de ser morta recebeu uma quantia elevada resultante do valor acumulado do rendimento mínimo garantido. O dinheiro acabou por ser roubado pelo homicida.

(Dos Jornais)

Isto podia ser o argumento para uma telenovela daquelas de arrancar lágrimas às pedras da calçada, mas não é.
Aconteceu e os pormenores que aqui podemos ver são do mais sórdido que se podem imaginar.
A promiscuidade em que esta família vivia, e vai continuar a viver, mostra bem a degradação a que o género humano pode chegar.
Por aqui perpassam uma data de entidades que são especialistas em assobiar para o lado.
Se perguntadas, todas elas dirão que ou não sabiam, ou sabiam e não era nada com elas, ou era com elas e o assunto está a ser estudado.
É muito difícil não ter vergonha de viver num país que deixa isto acontecer.
E que vai continuar a deixar.